Centro de Apoio à Pessoa em Luto

sábado, 17 de julho de 2010

Namarie


É com alguma tristeza e muita nostalgia que digo adeus a este espaço. Digo adeus a este espaço por motivos de incompabilidade de uma decisão da direcção, e por motivos de ética pessoal em relação a essa mesma decisão da direcção.
No entanto queria de forma sincera, aberta e verdadeira, deixar o meu muito obrigado a todos aqueles que passaram por mim neste espaço, que me comentaram, que me leram, que reflectiram, que choraram e se emocionaram com as minhas palavras, com algumas das minhas histórias, que fazem parte de mim mesmo.
Quero também deixar o meu muito obrigado, a todos os utentes do grupo de entre-ajuda da capelo de lisboa. Levo a todos voçês no meu coração. A vossa história, a forma como se deram ao grupo e a mim mesmo, a forma como partilharam o vosso sofrimento, a vossa perda a vossa dor, ficará em mim para sempre, enquando o meu Ser, continuar a Ser. Quero deixar uma palavra amiga, de simpatia, de agradecimento, de verdadeira emoção a todos os utentes do grupo de entre-ajuda, dizendo, simplesmente o vosso primeiro nome....um agradecimento à Patricia, à Maria Virginia, ao Luis, ao Rui, à Ana Paula e à Luisa. Todos voçês contribuiram de forma significativa para a evolução do meu Ser, e para o encontro com o meu Projecto Existencial. Espero que tenha conseguido dar tanto... como voçês me foram dando a mim.
Desejo a todos o que desejo a mim mesmo....que sejam e lutem por ser FELIZES!
Namarie.........

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Hora de mudanças...

É com o coração apertado que vos escrevo este texto...
Há algum tempo atrás, abracei a coordenação do Capelo de Lisboa, e durante algum tempo partilhamos as minhas e as vossas vivências e com vocês aprendi muito coisa, mas a vida dá muitas voltas e a minha também... por motivos profissionais e pessoais vou ter que abandonar a coordenação do Capelo de Lisboa. Não vou abandonar a associação, apenas vou mudar de local, vou passar a coordenar o Capelo de Sintra, que irá funcionar no Algueirão.
Se precisarem de mim, podem contactar-me na mesma, visto que irei continuar a coordenar a ARCapelo, ou seja, a associação da região de Lisboa, melhor dizendo, a fazer a ligação entre todos os capelos da região de Lisboa...
A água corre nos rios e vai passando, mas o rio nunca deixa de ser rio....

domingo, 23 de maio de 2010

Espaço invisivel, espaço impossivel


Este espaço invisivel, reside dentro de ti; entre a essência daquilo que tu és e desejas e daquilo que de facto decides ir fazendo para te ires protegendo.
Este espaço invisivel, fica entre o que se foi; o tanto que se quer ser e o que não temos coragem de fazer.

Este espaço invisivel, reside bem dentro da forma de se viver, entre a fronteira das ilusões de tranquilidade, de conforto, de quietude inquieta e a forma intensa, verdadeira e significativa de nos irmos escolhendo com autenticidade, verdade e sem medo daquilo que nos torna realmente humanos ( os sentimentos ).

Este espaço invisivel, dentro de nós, fica entre o evitamento de se viver para não se sofrer, entre “o medo de voltar a dar mais uma volta”, entre as ilusões e mentiras de escolhas de vida ocas e sem significado, entre o ir sobrevivendo e o de facto esolhermos EXISTIR.

Este espaço invisivel, reside bem escondido dentro de nós....às vézes construido à volta de uma grande torre de marfim...cravado com estacas profundas de sofrimentos não resolvidos, não entendidos, magoas não choradas, escolhas passadas, derrotas inesperadas, futuros perdidos, portas fechadas, sonhos não sonhados....e quanto mais estacas..maior e mais forte é a nossa torre de marfim....lá temos a ilusão que controlamos...que temos tranquilidade....conforto....futuro....quando na realidade...cá dentro na nossa essência sentimos a inquietude da escolha errada, da escolha que se está a fazer em não se viver....

É neste espaço invisivel dentro de nós, que escolhemos ,muitas vezes o que não somos, para não termos de construir o tanto que queremos ser com um outro que nos queira completar esse espaço invisivel dentro de nós.

É neste espaço invisivel dentro de nós, que vamos escolhendo ser vitimas e depois lobos....rio e depois mar.....branco e depois preto....vilões e depois herois....ir sobrevivendo e depois EXISTINDO....ser corvo e depois falcão....ser a onda e depois o mar....ser o sonho e depois a realidade... e neste espaço invisivel destas metamorfoses internas, mudamos tanto para não termos a responsabilidade de escolher o que de facto queremos ser....abrançando o que somos com medo de errar, sofrer, falhar...enfim perder.....

Usamos racionalizações e medos/ desculpas/ invenções para não vivermos EXISTENCIALMENTE....ora dizemos que temos medo de sofrer ( quando é impossivel viver e amar sem se sofrer ) dizemos que não podemos fazer o que desejamos para não magoarmos ninguém ( quando sabemos que não temos é coragem de fazer o que desejamos, e que nesta vida é inevitável as pessoas se irem magoando umas às outras ), dizemos que queremos ficar sozinhos e não queremos mais ninguém ( mas na realidade o que acontece é que estamos com medo de sofrer e com medo do grande amor...dos sentimentos intensos...por isso rejeitamos o tanto que podemos sentir para nos refugiarmos no pouco que vamos escolhendo ir sentindo).

É neste espaço invisivel dentro de nós,que é bem possivel começar a escolhermos realmente em querer ser feliz....mas escolher ESCOLHENDO....com intencionalidade, responsabilidade verdade e é claro sempre em liberdade....

Escolher ir tentanto, dentro das circûnstancias, termos momentos de felicidade, dá muito trabalho, implica muita coragem, não ter medo de sentir com intensidade o momento presente, de aproveitar o que nos faz crescer e evoluir e aprender com o que nós faz sofrer...implica ir sorrindo....implica estar aberto para ir vivendo....mergulhar no mar e beijar com intensidade a pessoa ao nossa lado para partilhar o momento significativo....vêr um pôr-do-sol e tocar ao de leve na tua pele...permitir arrepiarmo-nos sem medo do que se sente....ir sentindo ir AMANDO...pois só em relação se torna o belo em mágico....através da partilha de espaços invisiveis....é bem POSSIVEL chegar A ESSE ESPAÇO IMPOSSÍVEL DO GRANDE AMOR.....

Não se entreguem ao sofrimento e ao desperdicio da vida....façam a vossa parte para sermos FELIZES.....
Um beijo e um abraço carregado de afecto a todos e a todas.
SEJAM INTENSAMENTE FELIZES!!!!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Pior do que teres morrido


Pior do que teres morrido, era nunca nos termos conhecido.
O teu sorriso....
O meu sorriso....
A construção e entendimento do nosso sorriso...
A luz da manhã a reflectir sob o nosso caminho que começou a ficar iluminado a partir daquele instante.
A fé que sempre tive e que trago comigo até hoje.
Os teus cabelos....o teu toque....o nosso cheiro....o teu olhar...meigo....até o ouço ao meu ouvido a dizer: - olha-me.....
Os nossos beijos....corpos....sentimentos partilhados....momentos construídos....momentos perfeitos alcançados onde o tempo deixou de ser tempo e passou a ser a eternidade do momento único e raro de felicidade reciprocamente entendida e vivida sob a mesma forma....e eu disse: - não desistas de mim....e tu disses-te: - não desistas de nós.....e nós começámos a caminhar com as mãos dadas por uma estrada sem fim....

Pior do que teres morrido, era termos medo de amar e de nos conhecermos.
Termos ficado presos na nossa ilha de realidade sofrida...era termos ficado sem olhares e palavras especiais.....era termos ficado sem coragem para viver o grande amor com medo de sofrer uma grande dor.

Pior do que teres morrido, era nunca termos tentado ser felizes. E fomos tão felizes....é tão bom poder dizer isso....que fomos felizes....que vivemos sem medo de sentir...que aproveitámos o tempo que tivemos....”que fomos a pele um do outro”...que deixámos de caminhar sózinhos para começarmos a caminhar de mãos dadas no mesmo caminho, lado a lado...
Fomos tão felizes...que nos sentimos tão especiais e únicos pela rara sorte de amar assim tão perdidamente e intensamente.
Fomos tão felizes que perdemo-nos um no outro para encontrarmo-nos simbioticamente ligados pela energia do Amor.....então abrimos as ásas e voámos....voámos....voámos....

Pior do que teres morrido, era abandonares-me. Terias-me magoado não só no meu coração...mas também na minha alma....no meu espirito....em todo o meu Ser.
Se me tivesses abandonado....estarias a abandonar-te a ti própria...pois fazemos parte um do outro....Dir-te-ia....NÃO DESISTAS DE MIM....não desistas de ti....não desistas de nós....
Choraria com sentimento....com tristeza....com revolta.....com ternura....com nostalgia....e dir-te-ia não desistas de nós.

Pior do que teres morrido, era não construírmos a vida que vivemos.
Era não termos construído as memórias que guardamos; era não termos feito amor da nossa forma...tão nossa...tão bonita....tão romântica.....tão perfeitamente perfeita....dos filhos que tivemos e educámos com tanto amor, carinho; ternura; emoção; sentimento; dedicação; lealdade e é claro muita verdade....
Tanto que construímos....e que me faz sorrir....que me faz sofrer nostalgicamente...mas é um sofrer bom...pois entendo que sofro pois fomos tão felizes.....tivemos uma vida tão cheia....Pior do que teres morrido, era não termos vivido todos os momentos de felicidade que ambos construimos com o nosso viver.

Pior do que teres morrido, era não termos dado as mãos para juntos partilharmos todas as dificuldades que ambos tornámos mais fáceis; simplesmente porque nos amávamos.
Lembro-me da nossa primeira discussão....de termos caido na estrada....de aparecerem fantasmas....dos nossos erros....imperfeições...incompreensões....lembro-me que tivemos de começar um novo castelo na areia....que depois se transformou numa fortaleza....que depois se transformou num palácio....que depois se transformou nos nossos filhos....que depois se transformou na nossa ilha....e muitas vezes ouvimos dizer: - “não desistas de mim não te percas agora” valeu tanto a pena....
Sómente conseguimos porque estávamos juntos...porque juntos choramos....entendemos....caminhámos....sofremos....perdoámos...e sempre de mãos dadas....bastava darmos as mãos e tudo ficava bem....e ambos sorriamos ....e ambos sentiamos juntos....de corpo e alma...e aí ouviamos o nosso espirito a dizer não desistam do nós.

Pior que teres morrido era teres quebrado e teres escolhido o fantasma que conseguiste derrotar. Meu amor se tivesses ficado com esse fantasma que quase nos destruiu terias-me perdido não só agora como para toda a eternidade.
A minha alma e o meu espirito ficariam bem tristes...não só nesta existência...mas em todas as outras que ainda virão....e aí sim....dir-te-ia com lágrimas pesadas no meu rosto....DESISTE DE MIM.....

Pior que teres morrido era nunca termos tido os nossos filhos magnificos que tivemos e tudo o que reciprocamente nos deram.
A nossa menina de cabelos lindos...com um sorriso de Deus....a felicidade que sentimos juntos com ela é indescritivel....faz-me sorrir....e chorar....e agradecer este pedaço de nós.

Pior que teres ido...é deixar de acreditar em caminhar.....é deixar de acreditar na eternidade; nas muitas vidas que ainda vamos ser felizes....no tudo e no nada que nos envolve.....e nos dá a liberdade de sofrer...
Pior do que teres morrido, era nunca nos termos amado.Pior do que teres morrido era NUNCA TERES VIVIDO.....

segunda-feira, 3 de maio de 2010

coragem


Coragem;
é salvarmos um naufrago,
e por isso podermos morrer.
Coragem;
é descermos
ás profundezas do inferno
e dizermos ao diabo, que ele não existe.
Coragem;
é subir a escadaria mais alta do céu
depararmo-nos com Deus,
dizer adeus
à queda
e gritarmos bem alto
liberdade em toda a terra.
Coragem;
é sem dúvida voar
entre os sonhos
as músicas
e a beira mar.
Coragem;
é destruirmos as armas,
é terminarmos com os gritos de horror
é acabar com toda a dor.
Coragem;
é amar
quem nos ama
e cuidar desse jardim.
Coragem;
é construir
algo do nada;
possuir tudo nos sonhos,
e na realidade não querer nada.
Coragem;
coragem;
coragem
é vivermos
a vida até ao fim.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Uma óptima notícia...

Já há imenso tempo que o Capelo de Lisboa ansiava por puder dar esta notícia...

Já temos um espaço,
para puder reunir grupos de entreajuda, para puder fazer terapia individual, através de consultas de psicologia e para puder receber os nossos utentes/amigos.
este espaço é em Campolide, pertence á Igreja de Santo António de Campolide, junto ao pólo de Campolide da Universidade Nova de Lisboa... estaremos lá ás sextas feiras da parte da tarde, mas por motivos logisticos sempre que nos quiser "visitar" deve marcar connosco através dos contactos telefónicos apresentados aqui no quadro ao lado.
iremos iniciar brevemente um grupo de entreajuda por falecimento de conjuge e um outro por falecimento de pai e/ou mãe, inscrevam-se pelos mesmos contactos.
Até breve...

sábado, 24 de abril de 2010

Vidas desperdiçadas


Morri..... e agora estou a caminho do prugatório a reflectir na vida que vivi.


Cada passo que dou, no caminho que precorro é um momento que vivi e que reflito no que escolhi.


E caminho, penso e reflito....e caminho....penso....e reflito....
Até que chego ao prugatório e olho para duas portas; uma delas diz: sofrimentos a outra diz sofrimentos amargurados.


Bem, não sei o que fazer, e por isso mesmo penso um pouco sobre cada uma das frases e resolvo entrar na que diz sofrimentos amargurados.
E assim fiz....é uma sala enorme....com paredes pintadas de preto e um cheiro estranho a enxofre, no meio da sala uma arca bem grande de ferro, fechada com um cadeado. Mesmo em frente à arca estava uma chave que penso que deve de ser do cadeado que fecha a arca.


Dirigi-me até a chave, apanho-a sem medo e experimento a chave no cadeado; a chave entrou....e eu sorri....mas no instante seguinte senti um enorme medo em abrir a arca...
Abro ou não abro??bem se já morri pior é dificil....pensei eu...


Então mesmo com medo abri a arca....e dessa arca sairam algumas das minhas recordações...que ficaram a pairar no tecto da sala dentro de bolas de sabão....no fim sairam umas letras que formaram a seguinte frase: tempo de vida desperdiçada....


Isso fez-me ficar curioso....então começei a olhar uma por uma, as recordações dentro das bolas de sabão....
E vi coisas que já nem me lembrava....outras que fingia não me lembrar...outras ainda que embora me lembrasse muito bem, queria-as arrancar....
E vi coisas que me fizeram chorar....


As ilusões em que acreditei e me fizeram perder tempo da minha existência; as mentiras que escolhi acreditar; as perdas que tive na minha vida e que escolhi não resolver, os sofrimentos amargos que tenho no meu coração por medo de os entender, os fantasmas que me fizeram perder tanta coisa...tanta vida....o amor da minha vida....


Vejo o meu sofrimento, a pena que tenho de mim mesmo em ter sofrido, o tempo que passei a ter pena de mim mesmo e não fazer nada para mudar.


Vejo o meu sofrimento pelas escolhas erradas que fiz contra o meu próprio coração, o meu próprio sentir, os meus sentimentos de culpa em ter escolhido o errado quando sabia o que era o certo, em ter ido pelo caminho mais fácil porque é o mais cómodo quando eu sei que o caminho mais fácil nunca é o correcto.


Em ter perferido o trabalho, a carreira, aos afectos...em ter perferido as ilusões as mentiras, as verdades sentidas como verdadeiras....em ter perferido passar por esta vida e ter desperdiçado tantos momentos e instantes em vez de os aproveitar a simplesmente vive-los e senti-los...


Enquanto chorava...enquanto olhava para o tanto que desperdiçei neste momento único e mágico que é o milagre da vida..enquanto isso....senti-me desolado....senti-me com uma enorme responsabilidade em ter escolhido o que escolhi, em ter vivido como vivi, em me ter lamentado tantas vezes como me lamentei, em ter chorado por pena de mim mesmo tantas vezes como chorei, em ter escolhido acreditar sempre nos mesmos sonhos e ilusões em vez de os ir amadurecendo e os transformando e lutando por eles.....


Fiquei tão desolado que cai de joelhos em frente à arca...olhei para o tecto...e pensei para mim mesmo o que fiz eu à minha vida....
O tecto deixou de ser tecto....e um vulto que me acalmou cheio de luz desceu até mim pegou-me ao colo e levou-me para fora da sala....regressando à entrada das duas portas....o vulto sussurou-me ao ouvido...entra na outra porta e verás como tudo seria mais fácil....


Então entrei na outra porta...e era um enorme jardim...com um lindo lago bem tranquilo e calmo...e perto de uma bela árvore estava uma arca bem mais pequena do que a da outra sala....esta arca era de madeira e parecia bem mais frágil; além disso não tinha qualquer cadeado....abri a arca e sairam borboletas lindas...com cores tropicais...e elas traziam consigo as minhas mais belas recordações....


O amor da minha familia, o amor dos meus filhos....o amor do meu amor....os tantos momentos no mar e com a lua cheia....os mergulhos com alma que dei no mar em que me encontrei e te encontrei também........os tantos momentos de partilha.....os afectos intensos e temperados mas sempre genuinos e verdadeiros....sentimentos belos....sentimentos....nesta arca também estavam sofrimentos...mas estes sofrimentos ao contrários dos outros não me faziam mal, nem me faziam desperdiçar a minha vida, pois fizeram-me evoluir e progredir....afinal todas as recordações carregadinhas de afectos variados...


Poderia escrever tantas coisas....mas por mais que eu escrevesse ficaria sempre tanto por dizer....a mensagem que quero aqui deixar é que a vida faz-se vivendo...amando....lutando por viver...acreditando de coração e com muita fé no amor verdadeiro....isolarmo-nos por medo....ter pena de nós mesmos....sofrer sozinho para não incomodar ninguém.....ter medo de explusar os fantasmas.....queixarmo-nos a Deus que não tivemos na nossa vida o sopro mágico do amor....de nada vale se não tivermos a coragem de aceitar a enorme responsabilidade que temos na vida que levamos, nas escolhas que fazemos e nos sofrimentos que escolhemos guardar para não os resolver....


No fim da vida....de nada vale dizermos que deviamos ter escolhido o amor se de facto não o escolhemos, de nada vale dizermos que deviamos ter amado mais os nossos filhos se de facto não amamos, que deviamos ter vivido sem medo se de facto não vivemos.....o que importa é que enquanto estivermos vivos façamos com coragem a coisa mais simples da vida, e que por vezes nos esquecemos...que é simplesmente viver......


Dinheiro....carros....casas....carreiras....profissões....sonhos....ilusões....fantasmas....eternas indecisões....sentimentos de culpa....solidão....pena....sentimento excessivo de posse....amarguras....sofrimentos que nos fazem desperciçar a vida e nos fazem esquecer de vivê-la com simplicidade e muita verdade....sejam eternamente felizes é o que voz desejo do fundo do meu coração e da minha alma....mas não se esqueçam que para isso tem uma enerme responsabilidade...o de não perder a simplicidade e a verdade da vossa essência.

domingo, 4 de abril de 2010

Reencontro


Levantei-me ainda da mesma forma que me deitei; triste....tristemente triste.
Abri a janela, e olhei o mundo como se já nada fosse igual ao que antes era.
Hoje está um pouco frio, o dia está nublado, e triste como eu.
Hoje o dia está a preto e branco como está o meu interior desde que voaste....
Vivo sem sentido desde que abriste as tuas asas e voaste acima das nuvens....eras tão importante para mim que o sentido do meu mundo e da minha vida eras tu....

Ocupei algum tempo; não sei quanto... simplesmente a olhar o vazio do mundo pela janela do meu quarto, através do vazio de sentido da minha existência oca por não te sentir.

Lágrimas começaram-me a querer fugir da cara...tentei ser forte e não chorar...tentei ser forte e enganar o sofrimento...mas é nestas alturas da vida que nos apercebemos que, sermos fortes é simplesmente ter a coragem de sofrer e sentir verdadeiramente a saudade da intensidade do amor vivido.

Lágrimas começaram-me a escorrer pela cara, pois tive a coragem de chorar....e chorei como choram as crianças...chorei olhando o vazio do mundo pela minha janela através do vazio do meu interior....chorei simplesmente chorando...

Não sei porquê, decidi escolher aquela música que me caracteriza e que me define.
Começei a ouvi-la....começei a sentir a música...começei sofrer ainda mais....não sei bem porquê....

Eu não estva bem!
EU TINHA DE FAZER ALGUMA COISA POR MIM....
Tinha de erger-me deste sofrimento que me está a destruir...e a ti também....
Até que aquela vozinha no meu interior disse-me algo...que eu atentamente escutei e prometi que mais logo na hora certa faria....

O dia passou...até começou a chegar aquele momento certo.
Pus-me rapidamente a caminho para chegar à hora que pertendia e fazer o que tinha planeado..
Cheguei à praia, perto da hora do pôr-do-sol....estendi a minha toalha....e olhei o mar....olhei-o....olhei-o.

Despi-me e fiquei de calções de banho; o sol entretanto já tinha descido mais um pouco, e o céu estava com tons de fogo.....senti que era este o nosso momento outra vez.....

Mergulhei no mar, para te encontrar, com pressa; com revolta; com tristeza; com nostalgia; com uma leve agonia e medo de não te encontrar, mas mesmo assim mergulhei para te procurar.

Parei de nadar...começei simplesmente a sentir o mar...as ondas...a praia...algumas gaivotas que passavam...o cheiro do mar...a nostalgia do absoluto; enfim a força de Deus e da natureza.

Sentir tudo isso acalmou-me; essa calma fez-me boiar...e isso acalmou-me ainda mais...olhei para o entardecer, para o fogo no céu, e fez-me lembrar os teus longos e sedosos cabelos...selvagens mas meigos e macios...aí as lágrimas voltaram a aparecer...parei de boiar....continuei a chorar olhando o entardecer...

Até que uma leve brisa soprou e eu arrepiei-me...tive coragem e fechei os olhos...
E sentindo o mar...senti-te em mim...

Foi entao que parei de chorar; começei a sorrir e mergulhei no mar para te amar....fiquei tanto tempo de baixo de água quanto a força dos meus pulmões permitiram...

Mergulhei no mar para mergulhar em ti....e estando debaixo de água...senti-te tanto, senti que me amavas, que te amo, enfim que nos AMAMOS como sempre e sempre nos amaremos assim.

Mergulhei no mar para te voltar a sentir...e senti-te!

O ar nos meus pulmões esgotaram-se e tive que voltar a subir....quando voltei...não sei porquê mergulhei muitas vezes...”apanhei” muitas ondas como quando fazia quando era pequeno...entretanto o pôr-do-sol estava a chegar ao fim...a hora mágica do momento certo estava a acabar...

Quando estava dentro de água; senti-te perto....tão perto....senti-me acompanhado e completo...senti que estas dentro de mim...para todo o sempre...

Eu sei que não vais voltar, mas quero para sempre te guardar.

Sinto-te perto...cada vez mais perto....mesmo estando tu tão longe...

segunda-feira, 29 de março de 2010

Até ao último momento


Nestes instantes finais fico contigo meu amor; claro que fico.
Pego-te na mão com toda a ternura e afectividade que sempre nos ligou, olho-te bem profundamente nos teus olhos, tu olhas-me nos meus, e apercebemo-nos que recordar é também viver....caiem-nos lágrimas de ternura, de paixao, de gratidão, de amizade, de lealdade, de amor, de AMOR, de AMOR de verdade.

Quero-te agarrar para sempre e nunca mais te largar....quero-te beijar num instante mágico de rara beleza....quero salvar-te da morte para me salvar também da vida.

Nestes instante finais fico contigo meu amor; claro que fico.
Partilhámos tudo juntos, vamos também partilhar estes instantes finais; todos os instantes para poder ficar contigo são poucos comparados com aqueles que eu desejava....nunca chega...nunca é demais os instantes contigo, simplesmente porque te amo e sei que tu também me amas.

Mesmo sofrendo, quero estar contigo nesta tua pssagem para o outro lado; mesmo sofrendo quero estar contigo nestes momentos finais, mesmo sofrendo estou-te a amar.
Cai-me uma lágrima dos meus olhos...e depois mais uma e mais uma....e não param de cair pois é triste ver-te partir e nada poder fazer.

Quero descontrolar-me, gritar bem alto que não quero perder-te, gritar bem alto que não merecemos isto, gritar bem alto que te amo e não vou deixar que isto aconteça....mas por amor; estou a controlar-me, a manter-me forte, a dar-te amor com tranquilidade, a estar simplesmente ao teu lado a partilhar contigo e em silêncio o nosso último instante.

Até ao último momento eu vou estar contigo, mas sei que isso não nos vai chegar pois queriamos a eternidade.

Até ao último momento eu vou olhar-te nos olhos e ver que fomos felizes e abençoados por todo o tempo que passamos juntos.


Até ao último momento eu vou sentir o teu último respirar, e vou senti-lo desejando-te como sempre te desejei, com uma intensa paixão e ternura.

Até ao ultimo momento estaremos de mãos dadas para sentirmo-nos como sempre nos sentimos, verdadeiramente e simbioticamente ligados.

Até ao últmo momento as nossas almas estarão ligadas pela luz eterna do amor.

Até ao último momento lutaremos por mais um instante...e mais um....e mais um....e mais um....

Até ao último momento, abraçar-te-ei carinhosamente e apaixonadamente.

Até ao último momento....em que me sussuras ao ouvido....sê FELIZ....e em que eu me descontrolo a chorar....a estar triste...nostalgico....tristemente e revoltadamente infeliz por ter de deixar-te ir embora e ouvir-te dizer:- sê feliz.....

Até ao último momento guardar-te-ei para toda a eternidade....

AMO-TE mesmo muito meu amor....com toda a intensidade e verdade do meu ser.........

Sim meu amor por ti e por mim serei FELIZ!

Obrigado por este último momento....por este último instante....

Escrevo, chorando....escrevo,vivendo....escrevo amando o que fomos e o que és dentro de mim.....escrevo, sofrendo.....

Saudades....................

sábado, 20 de março de 2010

Este instante que é a vida


É no instante de um momento que a vida começa.
Num momento de amor e partilha de corpos suados, apaixonados e simbioticamente ligados.
É nesse instante de ligaçao de corpos e por vezes almas, que o instante da vida começa.
É no instante de um momento que nos apaixonamos e por vezes amamos.
Num cruzar de olhares, de cheiros, de esperança, ilusão, fé....num instante de uma praia, de uma rua, de um transporte, de um qualquer sítio que não vamos parar de olhar com nostalgia....

É no instante de um momento que começamos a amar e a ser amados.
Com respeito, lealdade, maturidade e acima de tudo partilhando os corpos, o tempo, as decisões, um projecto futuro, a construção de uma vida partilhada por amor, enfim a construção de um magnífico castelo na areia....

É no instante de um momento que começamos a perder, a cair, a não ter forças para nos levantar, em que a tristeza toma conta do nosso coração, e acreditamos que não há saída, que não há esperança nem rumo, em que nos perdemos, e esquecemo-nos por um instante que a vida sempre continua....

É nesse instante que começamos a perder os instantes dos momentos que fazem parte da vida....e a vida sempre continua...e não paramos de olhar para trás e a vida sempre continua para a frente...e não consigo deixar de te olhar...e a vida sempre continua....e os instantes vão passando, os momentos vão passando, a vida vai-se desperdiçando....e a vida sempre continua.

É no instante de um momento que vamos deixar de olhar para trás; por um outro qualquer olhar, por uma qualquer frase que ecoou na minha alma, por um qualquer cheiro que me voltou a fazer a acreditar.

É no instante de um momento que vamos deixar de olhar para trás; porque ficamos cansados de sofrer, de desperdiçar a nossa vida sofrendo, de olhar para trás com medo de voltar a caminhar em frente e cair....
É no instante de um momento que vamos deixar de olhar para trás; que vamos sair da nossa torre de marfim que nos dá alguma paz, tranquilidade e falsa quietude num sofrimento em que já nos habituámos a sentir, para não termos de voltar a viver e a caminhar em frente....e a vida sempre continua....e os instantes passando...e os momentos passando....e a vida sempre continua....

É no instante de um momento que deixamos de nos queixar do nosso sofrimento, que deixamos de pensar e de revivênciá-lo ciclicamente numa roda de auto-destruição, é nesse instante de um qualquer momento que começamos a aceitar o sofrimento e começamos a aprender a viver com ele, critalizando o que se perdeu no nosso interior para toda a eternidade sem que isso nos faça sofrer, pois nesse instante de critalização o primeiro passo é aceitar a perda como um acto de profundo e verdadeiro amor; pois amor que é amor, só é amor em liberdade, e por vezes o último acto do amor é libertar quem perdemos para dessa forma nos libertarmos também.
E a vida sempre continua...

É no instante de um momento que olhamos para trás e nos apercebemos que a vida se faz de “pequenos nadas”, de pequenos instantes efémeros dentro do momento; é nesse instante que agarramos a nossa vida com toda a força e intensidade da nossa existência e começamos a viver intensamente o momento certo do aqui e do agora da nossa existência.
E a vida sempre continua....

É no instante de um momento que nos despedimos da vida e de nós mesmos. Nesse instante olhamos para trás e vemos o que sempre soubemos; é que a vida sempre continua, nunca pára. Nesse instante de despedida da vida e de nós mesmos, olhamos para trás e sabemos no nosso ser mais profundo e intímo que o importante na vida foi termos amado e termos tido a sorte de ser amados da mesma forma, nem que fosse por um breve instante de um breve momento da vida. Nesse momento de despedida, olhamos para trás e vemos como a vida se resume ao AMOR, a AMAR E A SERMOS AMADOS da mesma forma, com a mesma linguagem, força, lealdade, respeito e sonho de concretização futura.
Nesse momento de despedida, olhamos para trás e reparamos que o importante foi o Amor; nesse momento de despedida, não nos irá vir à memória a nossa profissão, a nossa carreira, os nossos sonhos, os desejos, os medos, as indecisões...nesse momento de despedida o que nos virá à nossa alma é o AMOR, as pessoas importantes e significativas na nossa vida que contribuiram para que fossemos quem somos...
O importante no momento da despedida é termos alguém que nos ame e que nós amemos também, que caminhe ao nosso lado por esse momento dificil que é o fim de uma étapa tão especial que é a vida.
A vida sempre continua; nunca pára.

O momento certo é o momento do aqui e do agora em que devemos agarrar esses instantes para nos empenharmos a sermos intensamente e profundamente FELIZES porque estamos aqui nesta nossa vida, neste nosso instante de existência para AMARMOS, sermos AMADOS e principalmente e acima de tudo sermos felizes!
E a vida sempre continua.......não deixem fugir os instantes que fazem os momentos onde podem surgir o Amor....

terça-feira, 22 de dezembro de 2009


A todos vocês, que passam por aqui e que vivem uma grande dor e saudade principalmente nesta época do ano, a Capelo de Lisboa, deseja um Feliz Natal com tudo de bom.... dentro dos possíveis.

domingo, 8 de novembro de 2009

Um tão breve adeus



Naquela manhã tudo foi diferente...


Levantei-me e decidi, ir ter com o teu corpo, ao sítio onde simbolicamente guardam o teu ser.
Apressei-me a tomar banho e a vestir-me (sinceramente são sei porque me apressei), como se tivesse marcado uma hora contigo; vaidoso que sou, vesti um fato como se fosse para um encontro formal, tratei da minha cara quebrada pela dureza de anos chorados, usei o meu prefume perferido e olhei para o espelho, para entender se estava tudo como eu queria. Incrivelmente nesse momento vi um resto de mim...


Um resto que restou das lágrimas que intensamente verti.
Um resto que restou dos sentimentos que vivi.
Um resto que restou do Ser que fui e que já não sou.
Um resto que restou da parte do absoluto da tua essência que deixaste em mim.


Ao vêr esse resto que restou; decidi continuar a contemplá-lo nostalgica e sofredoramente, e após 1 minuto que mais parecia uma eternidade no purgatório (sendo eu o meu próprio juíz); virei as costas ao resto que restou da sombra que fui e que nem isso já sou!


Com uma lágrima nos olhos, saí de casa e de uma forma revoltada comigo mesmo, bati com a porta em forma de protesto.


Saí de casa, e antes de ir ao nosso encontro marcado, decidi ir ter com Deus ( esse que nunca me abandonou, sempre me ouviu e que vive em mim mesmo).
Fui ter com ele a um dos meus sitios especiais (aqueles onde ele se revela para mim e onde em paz converçamos), a minha praia.


Era um dia com nevoeiro, com um cheirinho bom a marezia e com um frio arrepiante no ar, no entanto não chovia.
Fui até á beira-mar, toquei com as minhas mãos no elemento da eternidade, sentei-me, e deixei-me levar pelo mar. Esvaziei a minha cabeça, o meu coração, e simplesmente vivenciei o Momento Presente, o Aqui e o Agora.
Eu, deixei de ser eu; o mar, deixou de ser mar, e nós passámos a ser Deus, naquele Momento Presente no Aqui e no Agora.


Ao contrário do inicio da manhã em que fui até ao purgatório e que o tempo levou uma eternidade, agora nesta praia, neste momento especial, o tempo deixou de ser tempo e passou a ser o Agora.
Converçámos muito (eu e Deus), no entanto isso deixo reservado para uma outra história.
O certo é que depois dissso, fui ao encontro do meu objectivo primário; ir ter contigo.
E assim foi...


Entrei no cemitério, dirigi-me para o sítio onde está o teu corpo, e olhei-o....
Perdi-me no tempo a olha-lo.
Perdi-me na metamorfoze interna do meu devir inter e intra subjectivo.
Perdi-me intensidade na tua recordação que sempre será eternizada pela minha eternidade.
Chorei; chorei muito intensamente; chorei com uma raiva luzente, chorei porque enfim... o que realmente vim aqui fazer, foi despedir-me.


Não despedir-me de ti; pois sempre viverás em mim!
Não despedir-me da tua essência, pois essa nunca perece.
Não despedir-me das nossas recordações pois enriquecem o meu Ser.


- Meu amor vim despedir-me do meu sofrimento por ti!


Esse sofrimento que aniquilou a minha existência para uma não existência.
Esse sofrimento que abafou o Ser que fui, que já não sou e que nunca voltarei a Ser.
Esse sofrimento que manipula a minha existência para um vazio existencial.
Esse sofrimento que transformou a minha vida num mecanismo previsivel para não ter de sofrer.
Esse sofrimento que me fez encerrar em mim mesmo, sugando toda a beleza, alegria e amor que são intrínsecamente ligados à vida.
Esse sofrimento que rasgou as partes de mim mesmo em fragmentos.
Esse sofrimento que por ser tão intenso, substituiu a tua ausência no meu interior.
Esse sofrimento que me fez deixar de viver para simplesmente passar a sobreviver sem rumo e projecto.


Ora isso basta!!! Basta mesmo!!!


Vim aqui dar um GRITO DE LIBERDADE em relação a mim mesmo, que me faço sofrer pela forma como me recordo de ti!


Descobri que sou eu que me faço sofrer, nas malhas da ilusão de um sofrimento por ti.
Chega de me enganar a mim mesmo! Chega com esta cobardia de não aceitar o que tem de ser aceite porque já não ha forma de modificar. Chega de ter pena de mim mesmo nas profundezas do meu inconsciente. Chega de ter voluntáriamente renunciado à vida com a desculpa da tua morte! Chega de pôr as responsabilidade em ti, que tiveste de ir embora. Chega de não querer viver com medo de voltar a sofrer. Chega de desperdiçar esta dádiva dívina que é a vida, a nossa liberdade, a nossa autonomia e força de Ser e de estar no Aqui e no Agora.
Revoltado e conscientemente digo que basta!


A partir de hoje escolho o melhor de ti e o melhor de mim mesmo para voltar à vida e a Ser.
A partir de hoje escolho recordar-te com um sorriso nos meus lábios por tudo o que vivemos e o que me deste.
A partir de hoje escolho guardar-te sem sofrimento na evocação dos nossos sitios e momentos especiais.
A partir de hoje escolho voltar a reconstruir-me, a projectar-me positivamente no futuro, a viver intensamente o Aqui e o Agora.


A partir de hoje escolho, escolher-me!


Afinal nesta despedida, não me despedi realmente de ti, mas de mim mesmo num tão breve adeus.
NAMARIE

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Um momento de poesia


A torre de marfim


Algumas pessoas
constroem à sua volta
uma torre de marfim.
Esta torre de marfim
tem por finalidade
destruir todos os fins;
destruir todos os sonhos.
Esta torre de marfim
encobre totalmente o céu,
expulsa todos os sentimentos fortes
e encobre-nos com um enorme véu negro;
completamente negro.
Depois de construída
nos ficamos fortes,
muito fortes;
tão fortes
que achamos o céu,
insignificante
a lua;
invisível ,
os sonhos;
uma verdade insustentável,
a música,
uma perda de tempo lamentável,
a vida;
uma rotina invejável,
os sentimentos;
um inimigo a abater
pois são eles que nos fazem sofrer!
Quando a gigantesca torre de marfim
estiver completamente construída
e nos entrarmos dentro dela,
jamais voltamos a sentir
seja o que for.
Por tudo isto,
destruí há muito a minha torre de marfim
e destruo continuamente
o recomeço das suas obras;
pois prefiro sofrer,
sentir melancolia,
nostalgia;
sonhar,
amar
e sentir-me não amado,
do que nada sentir.







Sentir as verdades; mudar as mentiras


Ás vezes
a vida é dura!
Um pai
que viola
uma filha inocente.
Uma mãe
que se droga
e que rouba de toda a gente.
Um bêbado
tão bêbado,
que bate, bate, bate numa mulher diferente.
Então ouvimos estas verdades,
bem duras
e pensamos,
pensamos…..
pensamos………….que são mentira
para não nos sentirmos atingidos.
Ás vezes
a vida é dura!
Um filho que nasce logo
com a sina
marcada da vida.
Sabemos de um amigo
que de repente……
Soube que lhe vai nascer um cancro na mente…..
assim tão de repente
como os dias nascem
e morrem.
Ouvimos falar
de um rico,
que perdeu toda a sua riqueza
nas mesas de jogo,
Sem qualquer beleza……
Logo em seguida matou-se com toda a sua nostálgica frieza,
deixando a família
mergulhada em dividas;
sem rumo,
sem barco,
sem capitão.
Então ouvimos estas verdades
bem duras
e fingimos
que não ouvimos,
para não sentirmos……qualquer sentimento.
Ás vezes
a vida é dura!
Um desempregado
até com vontade de trabalhar,
fica quebrado
por esta sociedade por mudar.
Ás vezes a vida é dura!
Uma pessoa que nos é querida,
Repentinamente morre……e faz-nos pensar!!!
Em nós; nos outros; no passado que passou e que ainda esta a passar.
Por vezes é preciso esta crueldade na vida para nos fazer mudar.
Então o tempo passa,
e todos nós sofremos; é ai então que começamos
a acreditar nas verdades
que sempre ouvimos
e nunca as quisemos compreender,
para não termos de sofrer.
Só que o tempo
continua a passar;
e nós continuamos a sofrer
e a morrer lentamente.
É ai então que começamos
a ignorar a realidade que sempre acreditámos
e que sempre ouvimos e aprendemos a aceitar graças
há virtude da ignorância.
A vida é dura....
Sim!
É triste……..
Sim!
Por vezes melancólica…………..
Sim!
Mas de que vale estes lamentos?
O que é preciso
É ouvirmos estas verdades
e sentirmos…..não interessa o quê…..
Para em seguida agirmos!!!!!!
Porque enfim
a vida é dura…..
Sim!
Mas podemos torna-la muito bela
como as cores de uma aguarela,
Basta sentirmos as verdades
E mudarmos as mentiras!!!!!!





Amigas e amigos, fui ao baú das minhas recordações buscar estes dois poemas que já fiz há algum tempo; poderia explicar porque escolhi estes e não outros, no entanto há certas coisas que so têm valor se formos nós mesmos a descobri-las.


Espero que descobram alguma mensagem nestes meus poemas.


Coragem para mudar o que percisa ser mudado meus amigos e amigas !

domingo, 25 de outubro de 2009

Sentimentos “redondos”


Sentimentos “redondos”

A raiva, a melancolia, a tristeza profunda, a angústia,o ódio (entre outros), são sentimentos que temos de ter a humildade de reconhecer que para os sentirmos, temos de abraçar esses sentimentos de uma forma “humana”, ou seja de uma forma afectiva, receptiva e com muita prudência.

Estes sentimentos além de serem “redondos”(ou seja, preenchem-nos na totalidade sem espaço para os outros sentimentos e emoções) são também intensos, e ao contrário de outros, alimentam-se deles mesmos e do nosso próprio sofrimento interno, fazendo com isso um ciclo de depêndencia em que a causa que provocou esse mesmo ciclo, reforça-o positivamente; alias além de o reforçar positivamente faz com que ele ganhe, cada vez mais, uma maior intensidade, isto porque quanto maior for esse sofrimento maior é a sensação de impotência do sofrente (ou seja daquele que sofre), quanto maior for esse sofrimento, menor é a capacidade de liberdade limitada que a pessoa tem; quanto maior for o sofrimento, menor é a vontade de viver e de Sêr.

Depois de perdermos alguém, emerge em nós um sentimento de raiva, de impotência, de descontrolo, de mortalidade, de tristeza profunda; e por fim, em alguns de nós o último estado de alma que fica é um vazio, um enorme vazio, um profundo e triste vazio, sem barulho, sem cores, sem cheiros, sem toques, sem ninguém.... No entanto rapidamente apercebemo-nos que esse vazio que sentimos e que tomou conta de nós, não é um vazio real, mas um vazio povoado pela nostalgia das nossas recordações internas.

Este vazio, não sendo um verdadeiro vazio, preenche intensamente o significado do nosso Ser; significado esse que deixou de ser um Ser para amar e viver, e passou a ser um Ser para relembrar e sofrer.

Ora há que romper com isto mesmo...há que gritar bem alto que estamos aqui para viver e sermos felizes, há que aproveitar o tempo que temos não para chorar o que fomos e o que tivemos, mas para vivermos o que tivermos que viver (seja isso o que for).

É muito mais fácil chorar e sofrer que viver, é mais fácil relembrar que voltar a construír, é mais fácil ficar no passado que percorrer o futuro, é mais fácil e comodo centrarmo-nos em nos mesmos que partilharmos o nosso Ser; é mais fácil sonhar que viver, é mais fácil ficar no chão depois de cair, do que levantarmo-nos novamente e tornarmos a cair; é mais facil não magoar ninguém por medo de magoarmos todos do que magoar alguém e perder a pessoa que magoamos.

E agora dizem alguns de vocês: - é fácil falar...

Sim é verdade, é fácil falar, o dificil é fazer, é concretizar aquilo que estou a dizer, é lutarmos cada um de nós pelo direito intrínseco de ser feliz e de ser Ser.

Sim é verdade é facil falar, o dificil é fazer...

Antes destas duas folhas que estou aqui a escrever estarem assim; antes estavam vazias; com o seu enorme manto branco existencial a sussurrarem-me ao ouvido – escreve...escreve...escreve.

Em vez de ter medo de escrever, em vez de ficar bloqueado no meu passado e no meu sofrer, em vez de desistir, em vez de ter deixado estas duas folhas em branco ; escrevi-as, partilhei-as com vocês que me estão a ler o que sinto, o que penso e sobretudo um pouco daquilo que sou.


Não se escondam nas malhas intensas do sofrimento, rompam com o ópio da dor, e da nostalgia negra .... lutem por vecês mesmos....vale sempre a pena, partilhar o que fomos, o que somos e sobretudo viver o resto do tempo que temos o melhor possível.

E como dizia o nosso querido Raul Solnado:” façam o favor de ser felizes!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

CAPELO DE LISBOA NA TVI

O Capelo de Lisboa vai estar presente no programa da manhã da TVI na sexta feira dia 2 de Outubro... Eu e dois utentes vamos dar o nosso testemunho sobre a vivência de processos de luto e vamos falar sobre o trabalho da associação... Estaremos no ar depois das 12 horas...

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A minha outra existência (segunda parte)


E nadei...e nadei....e nadei tanto, que o lago mais parecia um mar. Até que parei de nadar pois desde que estou neste novo mundo senti-me pela primeira vez cansado.

Começei a boiar para descansar um pouco, mas o choro compulsivo continuava, vinha do mesmo sítio, mesmo do meio deste lago que mais parecia um mar.

Ouvi o choro com mais atenção e pareceu-me reconhecer a voz e o tipo de choro.

Apressei-me então, novamente a nadar naquela direcção...até que cheguei a meio do lago, mesmo sob o sitio exacto donde vinha o choro...

Bem; agora pensei para mim próprio; só me resta mergulhar e ver o que se passa.

Mas em vez de mergulhar completamente, decidi antes começar a boiar de cabeça virado para baixo, e abrir os olhos, então aconteceu uma coisa extraordinária, estava a ver-te na nossa casa, tu a olhares para uma foto minha, com um olhar de ternura e de nostalgia que me tocaste no meu coração. Nunca me vou esquecer desse momento.

Enquanto olhavas para a foto, começaste a tocar nela, e recomeçaste a chorar compulsivamente...foi aí que entendi, que o choro era teu... neste exacto momento em que tu começaste a chorar, senti que, no meu mundo começou a chover, e tu no teu mundo , deitas-te-te na nossa cama, e além de chorar começas-te a ficar desesperada, e eu no meu mundo começei a sentir que a chuva começou a cair com mais força e o lago, deixou de ser lago...e eu, que continuava a boiar de cabeça para baixo, comecei estranhamente a sentir ondas....o que era impossível pois estava num lago...

Comecei a sentir-me angustiado, pois estava sozinho, a ver-te sofrer e não conseguia fazer nada.
Queria gritar bem alto que estava bem, e que não te queria ver sofrer; queria dizer-te que estava num mundo bonito e que não te tinhas de preocupar, queria dizer-te que estou sozinho e percisava da vibração e da força do teu amor.
Sim, eu apercebi-me que nesta minha existência há uma ligação entre o teu mundo interno e o meu mundo externo de existência...

Tu choraste no teu mundo e aqui choveu... tu começaste a ficar desesperada e aqui começou a chover mais.... tu começaste a..... e aqui o lago transformou-se em mar com ondas revoltas...

Só tu me poderás salvar meu amor...ainda não sei bem como funcionam as regras, mas para mim é já claro que o teu estado interno emocional está ligado com a realidade externa da minha segunda existência.

Estava embrenhado a ver-te e a sentir-te, mas a relaidade externa da minha segunda existência era muito forte, e eu estava preocupado com todas as modificações que senti no meu mundo, por isso mesmo, decidi parar de boiar e emergir à superficie e ver o que se passava de facto.

Emergindo à superficie, abri os olhos, e uma vez mais supreendi-me com o que se estava a passar....

De facto o lago deixou de ser lago e passou a ser mar, tudo a minha volta era mar...e ele estava revolto, as ondas estavam grandes....o céu estava escuro, a chuva forte, o vento assobiava, as nuvens trovejavam, e eu comecei a ter medo...pela primeira vez comecei a ter frio... continuava a sentir-me cansado, e cada vez mais cansado...

Meu Deus como vou sair daqui; preciso tanto da ajuda; até que ouvi uma voz que ecoou do meu interior e me respondeu que a ajuda que eu percisava não era de Deus mas sim do meu amor.

Então, já com poucas forças decidi mergulhar no mar em direcção ao choro do meu amor.

Mergulhei...

E ao mergulhar já não estavas lá...emergi novamente á supreficie e reparei que deixei de ouvir o teu choro, no entanto na minha existência tudo estava igual....eu continuava no mar, com ondas revoltas, a chover...

Olhei para o céu e abriu-se uma clareira por entre as nuvens negras. E vi a tua imagem... estavas agora no cemitério...penso que perto da minha campa....e estavas num sofrimento atróz...sentaste-te perto da minha campa e choras-te...e abraçaste-me....até que gritaste com muita raiva, dor, e energia negativa....- Porque o levas-te meu Deus? Porque eu?Odeio esta vida! Já não quero mais viver!!!

Neste momento aconteceu uma coisa assustadora no meu mundo...bem ao longe começei a reparar num tufão gigantesco vindo na minha direcção...começei a ficar realmente preocupado e gelado de medo. Será que também posso morrer nesta existência?

Incrivelmente com os teus desabafos o meu mundo conseguiu ficar ainda mais emsombrado...além do tufão que vinha na minha direcção mesmo sobre mim, pairavam abutres e crovos...começei a sentir um cheiro forte a enxofre...a sentir um amargo na minha boca, sem ter comido nada, e reparei que no mar há minha volta estava um tubarão ....

Bem, pior que isto é impossível.

Começei a ter noção do meu tempo e do teu tempo...e reparei que o meu tempo é muito lento e o teu tempo é muito rápido...

No teu mundo continuavas a sofrer, e na minha existência o tufão continuava a aproximar-se de mim...
No teu mundo continuavas a sofrer, na minha existência eu continuava a estar cada vez mais perto da morte...

No teu mundo passou 2 anos no meu mundo passou 2 dias. Fechei os olhos, e voltei a abri-los, olhei novamente para o céu e vi-te num jardim a sorrir; e na minha existência começou a espreitar o sol; vi-te a olhar para o céu, agora sem amargura no coração e com muita ternura; no meu mundo o tufão deixou de existir, os abutres e os corvos voaram para longe, o vento deixou de assobiar assustadoramente , e o sol começou a brilhar com mais intensidade.

Eu começei a acreditar que ias conseguir salvar-me meu amor, com a força da tua existência.

Agora começei a boiar de cabeça virada para cima, à espera de algo...à espera de um sitio para poder sair deste mar (deste mar das tuas emoções).

E depois de boiar algum tempo de barriga para cima; fez-se como que por magia uma tela de cinema feita por um magnifico arco-íris quadrado....mas que verdadeiro espectáculo....sou obrigado a concluir que há sempre espaço para espantarmo-nos na imensidão desde nosso universo verdadeiramente infinito.

Dentro daquela tela feita por Deus; vi-te mais uma vez.
Estavas tão feliz meu amor....a correr na praia....abris-te os braços e deste um abraço forte seguido de um beijo prolongado naquele que penso que seja o teu companheiro.... neste exacto momento senti-te feliz....senti a vibração do teu amor....senti a verdadeira magia do universo (o amor)...

Depois de sentir isso, no meu mundo apareceu lá ao longe uma ilha magnificamente bela....mas eu escolhi continuar a olhar para a tela de arco-iris e contemplar-te mais um pouco...

Senti-me inundado com a tua felicidade....senti-me forte e completo por te ver bem, feliz e completa.....sinto-me bem porque sinto que estas bem.

Foste tão forte e corajosa que auxiliaste-me nesta minha segunda existência, a encontrar a minha ilha, o meu lugar, o meu paraíso.

Com a tua força enfrentas-te a depressão, com o nosso amor encontras-te um novo amor, com a tua esperança deste-me alento e conforto, com a tua alma deste-me uma nova existência.

Meu amor, salvaste-me, salvando-te a ti mesma.
Quero agradecer-te por me deixares viver a minha segunda existência; tendo tu força para viveres a tua primeira existência.

Agora despeço-me de ti sem me ouvires.....paro de boiar, começo a nadar em direcção a ilha....o arco-íris desaparece...e eu continuei a nadar....até que cheguei há ilha....e meu Deus que ilha....

A primeira coisa que faço depois de chegar a essa ilha é olhar para o sitio de onde vim.....olhar para o sitio onde estava o arco-íris...e fiquei simplesmente a olhar para lá.

Até que balbuciei o seguinte:
- Obrigado meu amor, sem ti e sem a tua força nunca tinha conseguido chegar até aqui, até sempre meu amor...

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A minha outra existência (primeira parte)


Persenti que estava próximo o tempo de partir; sei que não é assim com toda a gente (por vezes nem tempo temos para sentir a percepção final), mas sei que foi assim comigo...

Assustei-me; não ... para dizer a verdade entrei em pánico pois não sabia para onde ia, nem o que ia encontar, nem como seria essa viajem.

Tudo o que sabia, é que quem partia não regressava, pelo menos não da mesma forma que nos habituamos a conhecer.

Tudo o que sabia é que ia para um lugar diferente daquele que conheço.

Tudo o que sabia, é que não tinha escolha e que teria mesmo de partir.

Mas sabendo tudo isso, apercebi-me que sabia muito pouco.

Apoderou-se de mim um misto de medo por não saber para onde vou e uma saudade apertada de todos os que tenho no meu coração, mesmo antes de partir.

Todas as certezas que tinha, passaram a ser uma neblina construida racionalmente e com nuvens densas de poderosas emoções encerradas no cofre da minha alma.

Tudo o que construi deixou de fazer sentido para mim; daquele momento a única verdade que existia era as pessoas que faziam parte do meu coração e que me ajudaram a trilhar a estrada da vida

Tudo o que possuía, deixei de possuír e tudo o que partilhei passou a existir, cristalizado na minha essência.

Tudo o que tinha deixei de ter; tudo o que sou continuei a ser...

Mesmo antes de partir nesta viajem, vi passar à minha frente todos os momentos significativos da minha vida; não faço ideia quanto tempo durou... foi como se visse um filme....isso também não é importante, o que te quero dizer é que nesse filme o mais significativo eras tu.... as emoções que partilhamos as histórias que vivemos os sonhos que perseguimos....

Não me despedi, porque era impossivel despedir-me, faria uma despedida de tal forma grandiosa que nunca chegaria a partir.

Simplesmente fechei os olhos, perdi a noção de tempo, de espaço, de história, de dor, sofrimento, saudade e de qualquer tipo de emoção; apoderou-se de mim o som mais forte do universo; o silêncio....

Até que de repente começei a ouvir o som do mar, depois ouvi umas gaivotas, cheirou-me a maresia, senti o calor do sol, voltei a sentir o meu corpo, abri os olhos e vi um céu azul como nunca tinha visto na minha exitência, levantei-me sem perceber onde estava.

Olhei ao meu redor e reparei que à minha frente estava um mar interminavelmente calmo, à minha esquerda o céu estava limpo e vislumbrei ao longe uma estrada feita de pedras que passava por entre as dunas, estrada essa que estranhamente cheirava a terra molhada, à minha direita o céu estava na sua hora mágica, com umas cores crepusculares que encheram a minha alma de alegria por ter visto tal beleza, não tão longe como a estrada de pedra, reparei que perto de mim existia uma floresta densa, com árvores de tal forma altas que alguns dos seus ramos pareciam pinacúlos; por trás de mim existia um deserto árido e desafiador, olhei para o céu e o sol estava bem forte e tórrido.

Mesmo continuando sem a noção do tempo, deparei-me com a minha primeira decisão, e mesmo se decidisse permanecer no mesmo sítio, mesmo assim essa não decisão, já seria em si mesmo uma decisão.

No entanto escolhi sentar-me e contemplar o mar à minha frente, enquanto que por vezes olhava para as cores mágicas da hora crepuscular à minha direita.

Não faço ideia quanto tempo estive ali a olhar, a comtemplar, a fugir da decisão, tentar uma reflexão, a rebuscar o meu coração.... e foi aí mesmo, quando a minha introspecção começou a entrar nas minhas emoções e trazer de volta os sentimentos encerrados no meu coração, foi nesse exacto momento que me levantei e comecei a caminhar para a floresta que estava à minha direita sob as cores mágicas daquela eterna hora crepuscular.

Até a pouco tempo ainda estava para saber se começei a caminhar por escolha, por medo, por intuição, por ter receio de me emocionar com o que tenho no coração, por ambição, curiosidade.... não sabia porque começei a andar nem porque fui para a direira.... mas foi o que de facto aconteceu.

Assim fui...caminhando com calma pois não tinha pressa, com receio por não saber o destino, com prudência porque não estava a perceber nada, com um vazio no coração pois faltavam muitas partes de mim encerradas no mundo que deixei para trás.

Antes de entrar na floresta que magicamente aparecia naquela praia, senti um desejo enorme de ter pelo menos alguém para me explicar o que raio se estava a passar, o que devia de fazer, para onde devia de ir, porque é que ainda não apareceu ninguém, nem nehum outro animal a não ser as gaivotas...naquele momento antes de entrar na floresta passou-me tantos pensamentos que fiquei quase que num estado embriagado de perguntas e incertezas....

Ri-me comigo próprio, pois afinal este sítio é como a vida que deixei para trás, as grandes decisões que temos de tomar, embora partilhadas, têm de ser decididas na solidão existencial do nosso mundo interno emocional.

Mesmo antes de entrar na floresta, além de ti, comecei a lembrar-me de muitos momentos significativos, não somente contigo mas com outras pessoas também tão importantes na minha vida como tu. Começei a relembrar de mim, da minha história de vida, dos meus sonhos, sofrimentos, enfim de tudo....e.....nostalgicamente e com muita ternura sorri (somente hoje sei porque sorri; mas isso fica para outra história); o meu coração começou a transbordar de coragem, a minha história de vida passada fundiu-se com este meu presente e entrei na floresta.
Depois do meu primeiro passo para dentro da floresta, parei, olhei para trás e deparei-me que; o que antes estava a trás de mim, agora ja não existia....tinha a certeza que somente tinha dado um passo, mas se de facto tivesse sido assim não poderia ter acontecido o que aconteceu... mais uma vez percebi que neste sítio as regras são outras; que eu ainda nem sei....

Decidi que o melhor seria esquecer o que estava nas minhas costas e começar a andar em frente...por muito bonito e significativo que tivesse sido o que estava nas minhas costas, agora deixou de estar e somente existe a floresta em todo o meu redor...

Comecei a andar em frente (seja la isso o que for e para onde me levar); e andei e andei e andei...sem nunca ter ganho a noção do tempo...e andei e andei e andei,,,, sem nunca me cansar ou ter sede ou ter sono.....e andei e andei e andei.....até que me questionei porque raio é que continuava a andar, até que foi ai que parei.

Sentei-me a olhar ao meu redor, e a paisagem que durante aquele tempo todo de caminhada permaneceu assustadoramente igual, de repente começou a mudar enquanto eu estava parado.

No meu lado direito apareceu-me um lago lindo, nem muito grande nem muito pequeno, era perfeito, e do meu lado esquerdo ao longe por entre as árvores reparei numa especie de gruta (pelo menos é o que me parecia, pois até hoje não sei bem o que era pois não escolhi o lago). Tanto um lado como o outro estavam sob o mesmo céu crepuscular.

Resolvi ir até ao lago; agora em passos mais firmes e apressados (pois já tinha um objectivo). À minha volta tudo mudou!

Deixei de ter lado esquerdo, direito e esqueci-me do que existia atrás de mim, estava focado somente no lago. Reparei que começei a caminhar cada vez mais rápido até que cheguei ao lago.

Voltei a sentir-me como uma criança que tinha ganho uma brincadeira imaginária.

Mas rápidamente isso mudou!
Quando cheguei lá não tinha um outro objectivo para continuar, não tinha outro sítio para onde ir (pois não havia caminhos e tudo era igual), não tinha nada para substituir aquele lago que ilusoriamente encheu o vazio do meu ser existencial perdido neste mundo onde não sabia as regras, nem os caminhos, distâncias....nada!!!

Pela primeira vez neste novo mundo fiquei desolado; angústiado; com medo; triste, apercebi-me que não faço mesmo ideia como isto funciona, seja isto o que for...

Deixei-me cair no chão com um semblante carregado; fiz com que um manto de depressão caisse sobre mim (pois somos nós os criadores tanto das ilusões como das depressões) e chorei....tristemente chorei....

Até que parei de chorar; enchuguei as minhas lágrimas olhei para o lago e reparei que depois de ter chegado ali, ainda não tinha contemplado verdadeiramente aquele lago ( tal como na minha vida antiga em que muitas vezes seguia focalizando os meus objectivos e quando os alcançava rapidamente substituia-os por outros sem nunca saborear sequer o objectivo alcançado ); e foi isso mesmo que começei a fazer, começei a contempla-lo, e ao começar a fazer isso, o meu interior acalmou-se, e no silêncio daquela floresta ouvi um choro complusivo que não era o meu.

Olhei ao meu redor e não vi ninguém; fiquei mais atento para ver se entendia de onde vinha o choro, até que me apercebi que o choro vinha do meio do lago.

Naquele momento, ao contrário do que já tinha passado, não me questionei de nada, nem dos perigos que podia correr e decidi apressadamente mergulhar no lago e nadei em direcção ao choro.

E assim fiz....

P.S – Caros amigos e amigas como este texto é muito grande resolvi reparti-lo e a continuação virá proximamente. Cumprimentos para todos.

domingo, 19 de julho de 2009

O tempo que temos


Mesmo que tivessemos todo o tempo do mundo; isso não seria suficiente para nos amarmos na medida do nosso amor.

Mesmo que tivessemos todo o tempo do mundo; não conseguiriamos beijar todos os beijos que desejamos dar; todos os mimos que queriamos trocar, todas as palavras que gostavamos de partilhar, todos os sonhos que queriamos realizar e todas as vidas que gostariamos de experimentar...

Mesmo que tivessemos todo o tempo do mundo; não seria suficiente para estarmos em silêncio um com o outro, para ouvirmos os segredos mais profundos do nosso ser, para espiarmos a culpa que até temos nas discussões que tivemos, para reconstruir um nós sem defeitos, enfim para sermos eternamente perfeitos e felizes.

Mesmo que tivessemos todo o tempo do mundo; não seria possível fintar a vida e a morte, não seria possível sermos únicamente nós, sem nenhum dos outros, não seria possível renegarmos o bom e o mal e vivermos únicamente num mundo ambigúo e sem a paixão dos sentimentos.

Mesmo que tivessemos todo o tempo do mundo; e já não temos; não conseguiriamos fugir à realidade, que tudo o que tem um início tem também um fim....E como não tivemos todo o tempo do mundo, conseguimos realmente amarmo-nos cada um a nossa maneira, com as nossas imperfeições, erros, angústias, discussões, lágrimas, beijos, caricias, abraços, palavras genuínas de amor, e é claro muita paixão, compreensão, empatia, mas principalmente, partilha.....

Partilhar o dia de trabalho, os gostos que cada um têm, as pequenas manias, as nossas tristezas, as palavras vazias, os sonhos e pesadelos, as grandes histórias que passaram na vida de cada um de nós, as pequenas fantasias, o nosso corpo, a nossa memória, enfim a nossa própria história.... E como não tivemos todo o tempo do mundo, vivemos intensamente o tempo que estivemos um com o outro, e vivemos um para o outro, e vivemos com paixão, com sentimentos exuberantes.... E como sabiamos que não iamos ter todo o tempo do mundo, construímos um projecto para o tempo que não sabiamos que tinhamos, construímos um castelo de areia para os nossos sonhos e uma muralha de barro para o nosso amor.... E como sabiamos que não tinhamos todo o tempo do mundo aproveitamos o tempo que tivemos.... E como sabiamos que não tinhamos todo o tempo do mundo, fingimos que até tinhamos, para vivermos na ilusão da eternidade impossível.

É disso mesmo que tenho saudades; da partilha, de ter-te a meu lado, de não ser perciso abrir a boca e mesmo assim tu entenderes o que eu digo entre o silêncio cúmplice dos apaixonados....

É disso mesmo que tenho saudades; das palavras que trocamos, dos segredos que ouvimos, das noites que não dormimos, das madrugadas acordadas ao toque dos mimos.
É disso mesmo que tenho saudades, de um outro diferente de mim, mas que faz parte de mim mesmo....

É disso mesmo que tenho saudades, de um outro diferente de mim, mas que faz de nós um todo em harmonia....

É disso mesmo que tenho saudades, simplesmente de ter-te a meu lado...

Ainda bem que não tivemos todo o tempo do mundo, pois amamo-nos à nossa medida.

Ainda bem que não tivemos todo o tempo do mundo, pois no tempo que tivemos completaste-me inteiramente todo o meu ser e a minha essência.

Ainda bem que não tivemos todo o tempo do mundo, pois se tivessemos, nós não seriamos nós, mas mais um pedaço da eternidade.

sábado, 11 de julho de 2009

A Viagem


A viagem

Se puder, gostaria de me levar,
gostaria ainda de levar comigo
todos os sentimentos,
alegrias e tristezas,
amores e belezas.
Todas elas são bem vindas
pois são sentimentos.
Gostaria de levar todas as cores
todos os pássaros
todos os peixes do mar
e pelo menos gostaria de levar,
o som de uma andorinha a cantar.
Mas também levava; música ,
e numa caixa feita de algodão um pouco de silêncio
para tentar recordar.
Há, já me ia esquecendo,
tinha que levar as minhas recordações,
todas elas,
sem qualquer distinção.
Todas elas cabiam numa grande arca.
Numa caixa de fósforo,
levava a minha beleza.
Numa caixa de cartão
levava as minhas ambições,
numa caixa de barro
levava o meu coração,
e numa caixa;
numa grande caixa de ferro
levava todos os meus sonhos.
O meu saber é pouco,
mas gostava de o conservar
como uma árvore.
Mas nesta viajem
teria também que levar
o mar e as estrelas,
teria que convencer a lua a me acompanhar,
e teria que levar o sol acorrentado.
Teria que levar os quadros amarrados.
É claro que é pouco provável conseguir transportar tudo,
mas se tiver de optar
por alguma delas,
prefiro lutar por todas.
Mas se afinal a viagem é tão importante
e o preço é tão alto,
então é justo eu conseguir levar tudo o que quero;
e afinal o que eu quero
é tão pouco;
ou será muito...?

Minhas amigas e amigos, decidi partilhar este meu poema com todos. Escrevi-o tinha 17 ou 18 anos mais ou menos não sei percisar bem. Nesta altura pensava muito nesta viagem, em como ela seria, o que iria vêr e sentir quando chegasse ao destino, em todas as coisas magnificas ou horriveis que poderia encontrar, pensava em todo o manto escuro que cobre de mistério esta viagem final.....Pensava, e umas vezes ria, outras chorava, mas a maior parte das vezes recordava os que tinham passado pela minha vida e me tinham marcado, pensava nas pessoas que estão na minha vida e fazem parte de mim, e pensava sobretudo em ti, que ainda nao te tinha descoberto nessa altura mas que já sabia da tua existência.

Entretanto fui crescendo, fui errando muito, fui apreendo aos poucos, fui vivendo sem rumo, até que te conheci. Nesta altura a vida passou a ter um rumo, o meu coração passou a ter uma companheira, o meu sorriso passou a ter um beijo e o meu abraço passou a ter um corpo.

Deixei de pensar nessa viagem magnificamente aterradora e misteriosa e passei a pensar em nós. Deixei de ter medo de morrer e passei a querer viver eternamente, deixei de sonhar para viver esse sonho contigo, deixei de me amar, para te amar completamente e o mais genuínamente possivel.

Foi neste momento que pensei que eramos imortais, que iriamos viver uma felicidade perpetuada nos momentos mágicos que construimos, numa certeza ilusória que a vida é magnificamente bela e sem dor. Foi exactamente neste momento de exaltação que o sonho morreu e a realidade apareceu!

Decidiste fazer essa viagem (ou alguém ou algo te conveceu a viajar ainda estou para saber) final, sem um adeus ou um até logo ou mesmo um até sempre....foste-te embora tal como chegaste; através das impermanências desta vida....

Voaste para longe, e eu não sei voar; partiste numa viagem onde não te posso acompanhar; chegaste a um destino onde nem sequer consigo imaginar.

Mas a realidade é que te foste embora, partiste nessa viagem final; simplesmente espero que tenhas feito uma boa viagem, simplesmente espero que tenhas encontrado o que desejasses e o que mereces, simplesmente espero que sejas feliz, simplesmente espero que esperes por mim da forma mais genuína de se esperar, que é no meu entender não esperando.

Boa viagem.....

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Formas simples de ajudar a lidar com o sofrimento e a perda


Existem formas simples de ajudar alguém em processo de luto, formas ao alcance de cada um de nós. Exemplos dessas ajudas são:

1. No início, a pessoa que vivencia a perda pode precisar de ajuda nas decisões mais simples. Pode apreciar a ajuda prática (ajuda em burocracias, preparação de refeições...).

2. Ser sensível às diferenças culturais e religiosas e procurar informação sobre costumes, rituais e práticas de modo a apoiar a pessoa (legitimar o que a pessoa está a sentir).

3. Dar a conhecer à pessoa que se está preparado para aceitar aquilo que a pessoa quiser partilhar connosco: as suas lágrimas, memórias, a sua raiva. Não brincar com a pessoa. Um ouvinte apoiante é o que elas precisam.

4. Ajudar a pessoa a perceber as tarefas/fortmas de coping (de lidar) com a perda de modo a que elas possam entender aquilo que se passa com elas.

5. Estar constantemente atento sobre o significado da perda para a pessoa nesta altura (e.g. uma pessoa que se divorcia, cujos filhos saem de casa e que depois perde o cão pode ficar profundamente deprimida pela última perda significar o elo final da cadeia de perdas).

Tarefas de coping no luto

Tarefa 1: Aceitar a perda como algo real
As pessoas tendem a oscilar entre a negação e a aceitação. A aceitação pode ser mais difícil em situações como o divórcio em que existe a possibilidade da pessoa regressar. É um período frequentemente descrito como "irreal" e em que a pessoa que vivencia a perda se sente desligada de tudo e esmagada pelo sofrimento.

Tarefa 2: Vivenciar a dor do desconsolo/sofrimento

Esta tarefa está associada com um tempo de sentimentos extremos misturados. Para a maioria das pessoas, os sentimentos regressam rapidamente após a perda e podem sentir dor física intensa, frequentemente descrita como estando no cerne do estômago ou à volta do coração. Isto é frequentemente acompanhado por uma saudade intensa e procura da pessoa. Visitar locais associados a essa pessoa, chamar o seu nome e chorar fazem parte da saudade. A pessoa pode também sentir que está a ficar "maluca" com a intensidade da emoção. Com a aceitação da perda pode vir a raiva - pela pessoa que morreu, raiva consigo próprio, com Deus,... Pode ainda sentir-se tensa e irritável, ou vivenciar sentimentos de ansiedade e culpa.

Tarefa 3: Ajustar-se à vida sem a pessoa

Antes da pessoa que vivencia a perda ser capaz de começar a adaptar-se, entra num período alternado com a segunda tarefa, em que tudo parece vazio e supérfulo. Tem falta de interesse por tudo e por vezes deseja morrer. Eventualmente, a pessoa começa a descobrir novos modos de coping, novos padrões e objectivos de vida. Isto é visível em comportamentos que mostram que estão preparadas para prosseguir em frente, como tirar férias, recordar o apartamento, alterar a aparência física, ter um novo passatempo...

Tarefa 4: Aceitar a perda

Quando a pessoa aceita a perda, está então pronta para vivê-la novamente, e para fazer novas relações, aceitar novos desafios. O passado e os entes queridos são ainda lembrados e estimados pela pessoa mas estes sentimentos já não impedem a pessoa de apreciar a vida quando os sente!