terça-feira, 22 de Dezembro de 2009


A todos vocês, que passam por aqui e que vivem uma grande dor e saudade principalmente nesta época do ano, a Capelo de Lisboa, deseja um Feliz Natal com tudo de bom.... dentro dos possíveis.

domingo, 8 de Novembro de 2009

Um tão breve adeus



Naquela manhã tudo foi diferente...


Levantei-me e decidi, ir ter com o teu corpo, ao sítio onde simbolicamente guardam o teu ser.
Apressei-me a tomar banho e a vestir-me (sinceramente são sei porque me apressei), como se tivesse marcado uma hora contigo; vaidoso que sou, vesti um fato como se fosse para um encontro formal, tratei da minha cara quebrada pela dureza de anos chorados, usei o meu prefume perferido e olhei para o espelho, para entender se estava tudo como eu queria. Incrivelmente nesse momento vi um resto de mim...


Um resto que restou das lágrimas que intensamente verti.
Um resto que restou dos sentimentos que vivi.
Um resto que restou do Ser que fui e que já não sou.
Um resto que restou da parte do absoluto da tua essência que deixaste em mim.


Ao vêr esse resto que restou; decidi continuar a contemplá-lo nostalgica e sofredoramente, e após 1 minuto que mais parecia uma eternidade no purgatório (sendo eu o meu próprio juíz); virei as costas ao resto que restou da sombra que fui e que nem isso já sou!


Com uma lágrima nos olhos, saí de casa e de uma forma revoltada comigo mesmo, bati com a porta em forma de protesto.


Saí de casa, e antes de ir ao nosso encontro marcado, decidi ir ter com Deus ( esse que nunca me abandonou, sempre me ouviu e que vive em mim mesmo).
Fui ter com ele a um dos meus sitios especiais (aqueles onde ele se revela para mim e onde em paz converçamos), a minha praia.


Era um dia com nevoeiro, com um cheirinho bom a marezia e com um frio arrepiante no ar, no entanto não chovia.
Fui até á beira-mar, toquei com as minhas mãos no elemento da eternidade, sentei-me, e deixei-me levar pelo mar. Esvaziei a minha cabeça, o meu coração, e simplesmente vivenciei o Momento Presente, o Aqui e o Agora.
Eu, deixei de ser eu; o mar, deixou de ser mar, e nós passámos a ser Deus, naquele Momento Presente no Aqui e no Agora.


Ao contrário do inicio da manhã em que fui até ao purgatório e que o tempo levou uma eternidade, agora nesta praia, neste momento especial, o tempo deixou de ser tempo e passou a ser o Agora.
Converçámos muito (eu e Deus), no entanto isso deixo reservado para uma outra história.
O certo é que depois dissso, fui ao encontro do meu objectivo primário; ir ter contigo.
E assim foi...


Entrei no cemitério, dirigi-me para o sítio onde está o teu corpo, e olhei-o....
Perdi-me no tempo a olha-lo.
Perdi-me na metamorfoze interna do meu devir inter e intra subjectivo.
Perdi-me intensidade na tua recordação que sempre será eternizada pela minha eternidade.
Chorei; chorei muito intensamente; chorei com uma raiva luzente, chorei porque enfim... o que realmente vim aqui fazer, foi despedir-me.


Não despedir-me de ti; pois sempre viverás em mim!
Não despedir-me da tua essência, pois essa nunca perece.
Não despedir-me das nossas recordações pois enriquecem o meu Ser.


- Meu amor vim despedir-me do meu sofrimento por ti!


Esse sofrimento que aniquilou a minha existência para uma não existência.
Esse sofrimento que abafou o Ser que fui, que já não sou e que nunca voltarei a Ser.
Esse sofrimento que manipula a minha existência para um vazio existencial.
Esse sofrimento que transformou a minha vida num mecanismo previsivel para não ter de sofrer.
Esse sofrimento que me fez encerrar em mim mesmo, sugando toda a beleza, alegria e amor que são intrínsecamente ligados à vida.
Esse sofrimento que rasgou as partes de mim mesmo em fragmentos.
Esse sofrimento que por ser tão intenso, substituiu a tua ausência no meu interior.
Esse sofrimento que me fez deixar de viver para simplesmente passar a sobreviver sem rumo e projecto.


Ora isso basta!!! Basta mesmo!!!


Vim aqui dar um GRITO DE LIBERDADE em relação a mim mesmo, que me faço sofrer pela forma como me recordo de ti!


Descobri que sou eu que me faço sofrer, nas malhas da ilusão de um sofrimento por ti.
Chega de me enganar a mim mesmo! Chega com esta cobardia de não aceitar o que tem de ser aceite porque já não ha forma de modificar. Chega de ter pena de mim mesmo nas profundezas do meu inconsciente. Chega de ter voluntáriamente renunciado à vida com a desculpa da tua morte! Chega de pôr as responsabilidade em ti, que tiveste de ir embora. Chega de não querer viver com medo de voltar a sofrer. Chega de desperdiçar esta dádiva dívina que é a vida, a nossa liberdade, a nossa autonomia e força de Ser e de estar no Aqui e no Agora.
Revoltado e conscientemente digo que basta!


A partir de hoje escolho o melhor de ti e o melhor de mim mesmo para voltar à vida e a Ser.
A partir de hoje escolho recordar-te com um sorriso nos meus lábios por tudo o que vivemos e o que me deste.
A partir de hoje escolho guardar-te sem sofrimento na evocação dos nossos sitios e momentos especiais.
A partir de hoje escolho voltar a reconstruir-me, a projectar-me positivamente no futuro, a viver intensamente o Aqui e o Agora.


A partir de hoje escolho, escolher-me!


Afinal nesta despedida, não me despedi realmente de ti, mas de mim mesmo num tão breve adeus.
NAMARIE

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Um momento de poesia


A torre de marfim


Algumas pessoas
constroem à sua volta
uma torre de marfim.
Esta torre de marfim
tem por finalidade
destruir todos os fins;
destruir todos os sonhos.
Esta torre de marfim
encobre totalmente o céu,
expulsa todos os sentimentos fortes
e encobre-nos com um enorme véu negro;
completamente negro.
Depois de construída
nos ficamos fortes,
muito fortes;
tão fortes
que achamos o céu,
insignificante
a lua;
invisível ,
os sonhos;
uma verdade insustentável,
a música,
uma perda de tempo lamentável,
a vida;
uma rotina invejável,
os sentimentos;
um inimigo a abater
pois são eles que nos fazem sofrer!
Quando a gigantesca torre de marfim
estiver completamente construída
e nos entrarmos dentro dela,
jamais voltamos a sentir
seja o que for.
Por tudo isto,
destruí há muito a minha torre de marfim
e destruo continuamente
o recomeço das suas obras;
pois prefiro sofrer,
sentir melancolia,
nostalgia;
sonhar,
amar
e sentir-me não amado,
do que nada sentir.







Sentir as verdades; mudar as mentiras


Ás vezes
a vida é dura!
Um pai
que viola
uma filha inocente.
Uma mãe
que se droga
e que rouba de toda a gente.
Um bêbado
tão bêbado,
que bate, bate, bate numa mulher diferente.
Então ouvimos estas verdades,
bem duras
e pensamos,
pensamos…..
pensamos………….que são mentira
para não nos sentirmos atingidos.
Ás vezes
a vida é dura!
Um filho que nasce logo
com a sina
marcada da vida.
Sabemos de um amigo
que de repente……
Soube que lhe vai nascer um cancro na mente…..
assim tão de repente
como os dias nascem
e morrem.
Ouvimos falar
de um rico,
que perdeu toda a sua riqueza
nas mesas de jogo,
Sem qualquer beleza……
Logo em seguida matou-se com toda a sua nostálgica frieza,
deixando a família
mergulhada em dividas;
sem rumo,
sem barco,
sem capitão.
Então ouvimos estas verdades
bem duras
e fingimos
que não ouvimos,
para não sentirmos……qualquer sentimento.
Ás vezes
a vida é dura!
Um desempregado
até com vontade de trabalhar,
fica quebrado
por esta sociedade por mudar.
Ás vezes a vida é dura!
Uma pessoa que nos é querida,
Repentinamente morre……e faz-nos pensar!!!
Em nós; nos outros; no passado que passou e que ainda esta a passar.
Por vezes é preciso esta crueldade na vida para nos fazer mudar.
Então o tempo passa,
e todos nós sofremos; é ai então que começamos
a acreditar nas verdades
que sempre ouvimos
e nunca as quisemos compreender,
para não termos de sofrer.
Só que o tempo
continua a passar;
e nós continuamos a sofrer
e a morrer lentamente.
É ai então que começamos
a ignorar a realidade que sempre acreditámos
e que sempre ouvimos e aprendemos a aceitar graças
há virtude da ignorância.
A vida é dura....
Sim!
É triste……..
Sim!
Por vezes melancólica…………..
Sim!
Mas de que vale estes lamentos?
O que é preciso
É ouvirmos estas verdades
e sentirmos…..não interessa o quê…..
Para em seguida agirmos!!!!!!
Porque enfim
a vida é dura…..
Sim!
Mas podemos torna-la muito bela
como as cores de uma aguarela,
Basta sentirmos as verdades
E mudarmos as mentiras!!!!!!





Amigas e amigos, fui ao baú das minhas recordações buscar estes dois poemas que já fiz há algum tempo; poderia explicar porque escolhi estes e não outros, no entanto há certas coisas que so têm valor se formos nós mesmos a descobri-las.


Espero que descobram alguma mensagem nestes meus poemas.


Coragem para mudar o que percisa ser mudado meus amigos e amigas !

domingo, 25 de Outubro de 2009

Sentimentos “redondos”


Sentimentos “redondos”

A raiva, a melancolia, a tristeza profunda, a angústia,o ódio (entre outros), são sentimentos que temos de ter a humildade de reconhecer que para os sentirmos, temos de abraçar esses sentimentos de uma forma “humana”, ou seja de uma forma afectiva, receptiva e com muita prudência.

Estes sentimentos além de serem “redondos”(ou seja, preenchem-nos na totalidade sem espaço para os outros sentimentos e emoções) são também intensos, e ao contrário de outros, alimentam-se deles mesmos e do nosso próprio sofrimento interno, fazendo com isso um ciclo de depêndencia em que a causa que provocou esse mesmo ciclo, reforça-o positivamente; alias além de o reforçar positivamente faz com que ele ganhe, cada vez mais, uma maior intensidade, isto porque quanto maior for esse sofrimento maior é a sensação de impotência do sofrente (ou seja daquele que sofre), quanto maior for esse sofrimento, menor é a capacidade de liberdade limitada que a pessoa tem; quanto maior for o sofrimento, menor é a vontade de viver e de Sêr.

Depois de perdermos alguém, emerge em nós um sentimento de raiva, de impotência, de descontrolo, de mortalidade, de tristeza profunda; e por fim, em alguns de nós o último estado de alma que fica é um vazio, um enorme vazio, um profundo e triste vazio, sem barulho, sem cores, sem cheiros, sem toques, sem ninguém.... No entanto rapidamente apercebemo-nos que esse vazio que sentimos e que tomou conta de nós, não é um vazio real, mas um vazio povoado pela nostalgia das nossas recordações internas.

Este vazio, não sendo um verdadeiro vazio, preenche intensamente o significado do nosso Ser; significado esse que deixou de ser um Ser para amar e viver, e passou a ser um Ser para relembrar e sofrer.

Ora há que romper com isto mesmo...há que gritar bem alto que estamos aqui para viver e sermos felizes, há que aproveitar o tempo que temos não para chorar o que fomos e o que tivemos, mas para vivermos o que tivermos que viver (seja isso o que for).

É muito mais fácil chorar e sofrer que viver, é mais fácil relembrar que voltar a construír, é mais fácil ficar no passado que percorrer o futuro, é mais fácil e comodo centrarmo-nos em nos mesmos que partilharmos o nosso Ser; é mais fácil sonhar que viver, é mais fácil ficar no chão depois de cair, do que levantarmo-nos novamente e tornarmos a cair; é mais facil não magoar ninguém por medo de magoarmos todos do que magoar alguém e perder a pessoa que magoamos.

E agora dizem alguns de vocês: - é fácil falar...

Sim é verdade, é fácil falar, o dificil é fazer, é concretizar aquilo que estou a dizer, é lutarmos cada um de nós pelo direito intrínseco de ser feliz e de ser Ser.

Sim é verdade é facil falar, o dificil é fazer...

Antes destas duas folhas que estou aqui a escrever estarem assim; antes estavam vazias; com o seu enorme manto branco existencial a sussurrarem-me ao ouvido – escreve...escreve...escreve.

Em vez de ter medo de escrever, em vez de ficar bloqueado no meu passado e no meu sofrer, em vez de desistir, em vez de ter deixado estas duas folhas em branco ; escrevi-as, partilhei-as com vocês que me estão a ler o que sinto, o que penso e sobretudo um pouco daquilo que sou.


Não se escondam nas malhas intensas do sofrimento, rompam com o ópio da dor, e da nostalgia negra .... lutem por vecês mesmos....vale sempre a pena, partilhar o que fomos, o que somos e sobretudo viver o resto do tempo que temos o melhor possível.

E como dizia o nosso querido Raul Solnado:” façam o favor de ser felizes!

quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

CAPELO DE LISBOA NA TVI

O Capelo de Lisboa vai estar presente no programa da manhã da TVI na sexta feira dia 2 de Outubro... Eu e dois utentes vamos dar o nosso testemunho sobre a vivência de processos de luto e vamos falar sobre o trabalho da associação... Estaremos no ar depois das 12 horas...

quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

A minha outra existência (segunda parte)


E nadei...e nadei....e nadei tanto, que o lago mais parecia um mar. Até que parei de nadar pois desde que estou neste novo mundo senti-me pela primeira vez cansado.

Começei a boiar para descansar um pouco, mas o choro compulsivo continuava, vinha do mesmo sítio, mesmo do meio deste lago que mais parecia um mar.

Ouvi o choro com mais atenção e pareceu-me reconhecer a voz e o tipo de choro.

Apressei-me então, novamente a nadar naquela direcção...até que cheguei a meio do lago, mesmo sob o sitio exacto donde vinha o choro...

Bem; agora pensei para mim próprio; só me resta mergulhar e ver o que se passa.

Mas em vez de mergulhar completamente, decidi antes começar a boiar de cabeça virado para baixo, e abrir os olhos, então aconteceu uma coisa extraordinária, estava a ver-te na nossa casa, tu a olhares para uma foto minha, com um olhar de ternura e de nostalgia que me tocaste no meu coração. Nunca me vou esquecer desse momento.

Enquanto olhavas para a foto, começaste a tocar nela, e recomeçaste a chorar compulsivamente...foi aí que entendi, que o choro era teu... neste exacto momento em que tu começaste a chorar, senti que, no meu mundo começou a chover, e tu no teu mundo , deitas-te-te na nossa cama, e além de chorar começas-te a ficar desesperada, e eu no meu mundo começei a sentir que a chuva começou a cair com mais força e o lago, deixou de ser lago...e eu, que continuava a boiar de cabeça para baixo, comecei estranhamente a sentir ondas....o que era impossível pois estava num lago...

Comecei a sentir-me angustiado, pois estava sozinho, a ver-te sofrer e não conseguia fazer nada.
Queria gritar bem alto que estava bem, e que não te queria ver sofrer; queria dizer-te que estava num mundo bonito e que não te tinhas de preocupar, queria dizer-te que estou sozinho e percisava da vibração e da força do teu amor.
Sim, eu apercebi-me que nesta minha existência há uma ligação entre o teu mundo interno e o meu mundo externo de existência...

Tu choraste no teu mundo e aqui choveu... tu começaste a ficar desesperada e aqui começou a chover mais.... tu começaste a..... e aqui o lago transformou-se em mar com ondas revoltas...

Só tu me poderás salvar meu amor...ainda não sei bem como funcionam as regras, mas para mim é já claro que o teu estado interno emocional está ligado com a realidade externa da minha segunda existência.

Estava embrenhado a ver-te e a sentir-te, mas a relaidade externa da minha segunda existência era muito forte, e eu estava preocupado com todas as modificações que senti no meu mundo, por isso mesmo, decidi parar de boiar e emergir à superficie e ver o que se passava de facto.

Emergindo à superficie, abri os olhos, e uma vez mais supreendi-me com o que se estava a passar....

De facto o lago deixou de ser lago e passou a ser mar, tudo a minha volta era mar...e ele estava revolto, as ondas estavam grandes....o céu estava escuro, a chuva forte, o vento assobiava, as nuvens trovejavam, e eu comecei a ter medo...pela primeira vez comecei a ter frio... continuava a sentir-me cansado, e cada vez mais cansado...

Meu Deus como vou sair daqui; preciso tanto da ajuda; até que ouvi uma voz que ecoou do meu interior e me respondeu que a ajuda que eu percisava não era de Deus mas sim do meu amor.

Então, já com poucas forças decidi mergulhar no mar em direcção ao choro do meu amor.

Mergulhei...

E ao mergulhar já não estavas lá...emergi novamente á supreficie e reparei que deixei de ouvir o teu choro, no entanto na minha existência tudo estava igual....eu continuava no mar, com ondas revoltas, a chover...

Olhei para o céu e abriu-se uma clareira por entre as nuvens negras. E vi a tua imagem... estavas agora no cemitério...penso que perto da minha campa....e estavas num sofrimento atróz...sentaste-te perto da minha campa e choras-te...e abraçaste-me....até que gritaste com muita raiva, dor, e energia negativa....- Porque o levas-te meu Deus? Porque eu?Odeio esta vida! Já não quero mais viver!!!

Neste momento aconteceu uma coisa assustadora no meu mundo...bem ao longe começei a reparar num tufão gigantesco vindo na minha direcção...começei a ficar realmente preocupado e gelado de medo. Será que também posso morrer nesta existência?

Incrivelmente com os teus desabafos o meu mundo conseguiu ficar ainda mais emsombrado...além do tufão que vinha na minha direcção mesmo sobre mim, pairavam abutres e crovos...começei a sentir um cheiro forte a enxofre...a sentir um amargo na minha boca, sem ter comido nada, e reparei que no mar há minha volta estava um tubarão ....

Bem, pior que isto é impossível.

Começei a ter noção do meu tempo e do teu tempo...e reparei que o meu tempo é muito lento e o teu tempo é muito rápido...

No teu mundo continuavas a sofrer, e na minha existência o tufão continuava a aproximar-se de mim...
No teu mundo continuavas a sofrer, na minha existência eu continuava a estar cada vez mais perto da morte...

No teu mundo passou 2 anos no meu mundo passou 2 dias. Fechei os olhos, e voltei a abri-los, olhei novamente para o céu e vi-te num jardim a sorrir; e na minha existência começou a espreitar o sol; vi-te a olhar para o céu, agora sem amargura no coração e com muita ternura; no meu mundo o tufão deixou de existir, os abutres e os corvos voaram para longe, o vento deixou de assobiar assustadoramente , e o sol começou a brilhar com mais intensidade.

Eu começei a acreditar que ias conseguir salvar-me meu amor, com a força da tua existência.

Agora começei a boiar de cabeça virada para cima, à espera de algo...à espera de um sitio para poder sair deste mar (deste mar das tuas emoções).

E depois de boiar algum tempo de barriga para cima; fez-se como que por magia uma tela de cinema feita por um magnifico arco-íris quadrado....mas que verdadeiro espectáculo....sou obrigado a concluir que há sempre espaço para espantarmo-nos na imensidão desde nosso universo verdadeiramente infinito.

Dentro daquela tela feita por Deus; vi-te mais uma vez.
Estavas tão feliz meu amor....a correr na praia....abris-te os braços e deste um abraço forte seguido de um beijo prolongado naquele que penso que seja o teu companheiro.... neste exacto momento senti-te feliz....senti a vibração do teu amor....senti a verdadeira magia do universo (o amor)...

Depois de sentir isso, no meu mundo apareceu lá ao longe uma ilha magnificamente bela....mas eu escolhi continuar a olhar para a tela de arco-iris e contemplar-te mais um pouco...

Senti-me inundado com a tua felicidade....senti-me forte e completo por te ver bem, feliz e completa.....sinto-me bem porque sinto que estas bem.

Foste tão forte e corajosa que auxiliaste-me nesta minha segunda existência, a encontrar a minha ilha, o meu lugar, o meu paraíso.

Com a tua força enfrentas-te a depressão, com o nosso amor encontras-te um novo amor, com a tua esperança deste-me alento e conforto, com a tua alma deste-me uma nova existência.

Meu amor, salvaste-me, salvando-te a ti mesma.
Quero agradecer-te por me deixares viver a minha segunda existência; tendo tu força para viveres a tua primeira existência.

Agora despeço-me de ti sem me ouvires.....paro de boiar, começo a nadar em direcção a ilha....o arco-íris desaparece...e eu continuei a nadar....até que cheguei há ilha....e meu Deus que ilha....

A primeira coisa que faço depois de chegar a essa ilha é olhar para o sitio de onde vim.....olhar para o sitio onde estava o arco-íris...e fiquei simplesmente a olhar para lá.

Até que balbuciei o seguinte:
- Obrigado meu amor, sem ti e sem a tua força nunca tinha conseguido chegar até aqui, até sempre meu amor...

segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

A minha outra existência (primeira parte)


Persenti que estava próximo o tempo de partir; sei que não é assim com toda a gente (por vezes nem tempo temos para sentir a percepção final), mas sei que foi assim comigo...

Assustei-me; não ... para dizer a verdade entrei em pánico pois não sabia para onde ia, nem o que ia encontar, nem como seria essa viajem.

Tudo o que sabia, é que quem partia não regressava, pelo menos não da mesma forma que nos habituamos a conhecer.

Tudo o que sabia é que ia para um lugar diferente daquele que conheço.

Tudo o que sabia, é que não tinha escolha e que teria mesmo de partir.

Mas sabendo tudo isso, apercebi-me que sabia muito pouco.

Apoderou-se de mim um misto de medo por não saber para onde vou e uma saudade apertada de todos os que tenho no meu coração, mesmo antes de partir.

Todas as certezas que tinha, passaram a ser uma neblina construida racionalmente e com nuvens densas de poderosas emoções encerradas no cofre da minha alma.

Tudo o que construi deixou de fazer sentido para mim; daquele momento a única verdade que existia era as pessoas que faziam parte do meu coração e que me ajudaram a trilhar a estrada da vida

Tudo o que possuía, deixei de possuír e tudo o que partilhei passou a existir, cristalizado na minha essência.

Tudo o que tinha deixei de ter; tudo o que sou continuei a ser...

Mesmo antes de partir nesta viajem, vi passar à minha frente todos os momentos significativos da minha vida; não faço ideia quanto tempo durou... foi como se visse um filme....isso também não é importante, o que te quero dizer é que nesse filme o mais significativo eras tu.... as emoções que partilhamos as histórias que vivemos os sonhos que perseguimos....

Não me despedi, porque era impossivel despedir-me, faria uma despedida de tal forma grandiosa que nunca chegaria a partir.

Simplesmente fechei os olhos, perdi a noção de tempo, de espaço, de história, de dor, sofrimento, saudade e de qualquer tipo de emoção; apoderou-se de mim o som mais forte do universo; o silêncio....

Até que de repente começei a ouvir o som do mar, depois ouvi umas gaivotas, cheirou-me a maresia, senti o calor do sol, voltei a sentir o meu corpo, abri os olhos e vi um céu azul como nunca tinha visto na minha exitência, levantei-me sem perceber onde estava.

Olhei ao meu redor e reparei que à minha frente estava um mar interminavelmente calmo, à minha esquerda o céu estava limpo e vislumbrei ao longe uma estrada feita de pedras que passava por entre as dunas, estrada essa que estranhamente cheirava a terra molhada, à minha direita o céu estava na sua hora mágica, com umas cores crepusculares que encheram a minha alma de alegria por ter visto tal beleza, não tão longe como a estrada de pedra, reparei que perto de mim existia uma floresta densa, com árvores de tal forma altas que alguns dos seus ramos pareciam pinacúlos; por trás de mim existia um deserto árido e desafiador, olhei para o céu e o sol estava bem forte e tórrido.

Mesmo continuando sem a noção do tempo, deparei-me com a minha primeira decisão, e mesmo se decidisse permanecer no mesmo sítio, mesmo assim essa não decisão, já seria em si mesmo uma decisão.

No entanto escolhi sentar-me e contemplar o mar à minha frente, enquanto que por vezes olhava para as cores mágicas da hora crepuscular à minha direita.

Não faço ideia quanto tempo estive ali a olhar, a comtemplar, a fugir da decisão, tentar uma reflexão, a rebuscar o meu coração.... e foi aí mesmo, quando a minha introspecção começou a entrar nas minhas emoções e trazer de volta os sentimentos encerrados no meu coração, foi nesse exacto momento que me levantei e comecei a caminhar para a floresta que estava à minha direita sob as cores mágicas daquela eterna hora crepuscular.

Até a pouco tempo ainda estava para saber se começei a caminhar por escolha, por medo, por intuição, por ter receio de me emocionar com o que tenho no coração, por ambição, curiosidade.... não sabia porque começei a andar nem porque fui para a direira.... mas foi o que de facto aconteceu.

Assim fui...caminhando com calma pois não tinha pressa, com receio por não saber o destino, com prudência porque não estava a perceber nada, com um vazio no coração pois faltavam muitas partes de mim encerradas no mundo que deixei para trás.

Antes de entrar na floresta que magicamente aparecia naquela praia, senti um desejo enorme de ter pelo menos alguém para me explicar o que raio se estava a passar, o que devia de fazer, para onde devia de ir, porque é que ainda não apareceu ninguém, nem nehum outro animal a não ser as gaivotas...naquele momento antes de entrar na floresta passou-me tantos pensamentos que fiquei quase que num estado embriagado de perguntas e incertezas....

Ri-me comigo próprio, pois afinal este sítio é como a vida que deixei para trás, as grandes decisões que temos de tomar, embora partilhadas, têm de ser decididas na solidão existencial do nosso mundo interno emocional.

Mesmo antes de entrar na floresta, além de ti, comecei a lembrar-me de muitos momentos significativos, não somente contigo mas com outras pessoas também tão importantes na minha vida como tu. Começei a relembrar de mim, da minha história de vida, dos meus sonhos, sofrimentos, enfim de tudo....e.....nostalgicamente e com muita ternura sorri (somente hoje sei porque sorri; mas isso fica para outra história); o meu coração começou a transbordar de coragem, a minha história de vida passada fundiu-se com este meu presente e entrei na floresta.
Depois do meu primeiro passo para dentro da floresta, parei, olhei para trás e deparei-me que; o que antes estava a trás de mim, agora ja não existia....tinha a certeza que somente tinha dado um passo, mas se de facto tivesse sido assim não poderia ter acontecido o que aconteceu... mais uma vez percebi que neste sítio as regras são outras; que eu ainda nem sei....

Decidi que o melhor seria esquecer o que estava nas minhas costas e começar a andar em frente...por muito bonito e significativo que tivesse sido o que estava nas minhas costas, agora deixou de estar e somente existe a floresta em todo o meu redor...

Comecei a andar em frente (seja la isso o que for e para onde me levar); e andei e andei e andei...sem nunca ter ganho a noção do tempo...e andei e andei e andei,,,, sem nunca me cansar ou ter sede ou ter sono.....e andei e andei e andei.....até que me questionei porque raio é que continuava a andar, até que foi ai que parei.

Sentei-me a olhar ao meu redor, e a paisagem que durante aquele tempo todo de caminhada permaneceu assustadoramente igual, de repente começou a mudar enquanto eu estava parado.

No meu lado direito apareceu-me um lago lindo, nem muito grande nem muito pequeno, era perfeito, e do meu lado esquerdo ao longe por entre as árvores reparei numa especie de gruta (pelo menos é o que me parecia, pois até hoje não sei bem o que era pois não escolhi o lago). Tanto um lado como o outro estavam sob o mesmo céu crepuscular.

Resolvi ir até ao lago; agora em passos mais firmes e apressados (pois já tinha um objectivo). À minha volta tudo mudou!

Deixei de ter lado esquerdo, direito e esqueci-me do que existia atrás de mim, estava focado somente no lago. Reparei que começei a caminhar cada vez mais rápido até que cheguei ao lago.

Voltei a sentir-me como uma criança que tinha ganho uma brincadeira imaginária.

Mas rápidamente isso mudou!
Quando cheguei lá não tinha um outro objectivo para continuar, não tinha outro sítio para onde ir (pois não havia caminhos e tudo era igual), não tinha nada para substituir aquele lago que ilusoriamente encheu o vazio do meu ser existencial perdido neste mundo onde não sabia as regras, nem os caminhos, distâncias....nada!!!

Pela primeira vez neste novo mundo fiquei desolado; angústiado; com medo; triste, apercebi-me que não faço mesmo ideia como isto funciona, seja isto o que for...

Deixei-me cair no chão com um semblante carregado; fiz com que um manto de depressão caisse sobre mim (pois somos nós os criadores tanto das ilusões como das depressões) e chorei....tristemente chorei....

Até que parei de chorar; enchuguei as minhas lágrimas olhei para o lago e reparei que depois de ter chegado ali, ainda não tinha contemplado verdadeiramente aquele lago ( tal como na minha vida antiga em que muitas vezes seguia focalizando os meus objectivos e quando os alcançava rapidamente substituia-os por outros sem nunca saborear sequer o objectivo alcançado ); e foi isso mesmo que começei a fazer, começei a contempla-lo, e ao começar a fazer isso, o meu interior acalmou-se, e no silêncio daquela floresta ouvi um choro complusivo que não era o meu.

Olhei ao meu redor e não vi ninguém; fiquei mais atento para ver se entendia de onde vinha o choro, até que me apercebi que o choro vinha do meio do lago.

Naquele momento, ao contrário do que já tinha passado, não me questionei de nada, nem dos perigos que podia correr e decidi apressadamente mergulhar no lago e nadei em direcção ao choro.

E assim fiz....

P.S – Caros amigos e amigas como este texto é muito grande resolvi reparti-lo e a continuação virá proximamente. Cumprimentos para todos.

domingo, 19 de Julho de 2009

O tempo que temos


Mesmo que tivessemos todo o tempo do mundo; isso não seria suficiente para nos amarmos na medida do nosso amor.

Mesmo que tivessemos todo o tempo do mundo; não conseguiriamos beijar todos os beijos que desejamos dar; todos os mimos que queriamos trocar, todas as palavras que gostavamos de partilhar, todos os sonhos que queriamos realizar e todas as vidas que gostariamos de experimentar...

Mesmo que tivessemos todo o tempo do mundo; não seria suficiente para estarmos em silêncio um com o outro, para ouvirmos os segredos mais profundos do nosso ser, para espiarmos a culpa que até temos nas discussões que tivemos, para reconstruir um nós sem defeitos, enfim para sermos eternamente perfeitos e felizes.

Mesmo que tivessemos todo o tempo do mundo; não seria possível fintar a vida e a morte, não seria possível sermos únicamente nós, sem nenhum dos outros, não seria possível renegarmos o bom e o mal e vivermos únicamente num mundo ambigúo e sem a paixão dos sentimentos.

Mesmo que tivessemos todo o tempo do mundo; e já não temos; não conseguiriamos fugir à realidade, que tudo o que tem um início tem também um fim....E como não tivemos todo o tempo do mundo, conseguimos realmente amarmo-nos cada um a nossa maneira, com as nossas imperfeições, erros, angústias, discussões, lágrimas, beijos, caricias, abraços, palavras genuínas de amor, e é claro muita paixão, compreensão, empatia, mas principalmente, partilha.....

Partilhar o dia de trabalho, os gostos que cada um têm, as pequenas manias, as nossas tristezas, as palavras vazias, os sonhos e pesadelos, as grandes histórias que passaram na vida de cada um de nós, as pequenas fantasias, o nosso corpo, a nossa memória, enfim a nossa própria história.... E como não tivemos todo o tempo do mundo, vivemos intensamente o tempo que estivemos um com o outro, e vivemos um para o outro, e vivemos com paixão, com sentimentos exuberantes.... E como sabiamos que não iamos ter todo o tempo do mundo, construímos um projecto para o tempo que não sabiamos que tinhamos, construímos um castelo de areia para os nossos sonhos e uma muralha de barro para o nosso amor.... E como sabiamos que não tinhamos todo o tempo do mundo aproveitamos o tempo que tivemos.... E como sabiamos que não tinhamos todo o tempo do mundo, fingimos que até tinhamos, para vivermos na ilusão da eternidade impossível.

É disso mesmo que tenho saudades; da partilha, de ter-te a meu lado, de não ser perciso abrir a boca e mesmo assim tu entenderes o que eu digo entre o silêncio cúmplice dos apaixonados....

É disso mesmo que tenho saudades; das palavras que trocamos, dos segredos que ouvimos, das noites que não dormimos, das madrugadas acordadas ao toque dos mimos.
É disso mesmo que tenho saudades, de um outro diferente de mim, mas que faz parte de mim mesmo....

É disso mesmo que tenho saudades, de um outro diferente de mim, mas que faz de nós um todo em harmonia....

É disso mesmo que tenho saudades, simplesmente de ter-te a meu lado...

Ainda bem que não tivemos todo o tempo do mundo, pois amamo-nos à nossa medida.

Ainda bem que não tivemos todo o tempo do mundo, pois no tempo que tivemos completaste-me inteiramente todo o meu ser e a minha essência.

Ainda bem que não tivemos todo o tempo do mundo, pois se tivessemos, nós não seriamos nós, mas mais um pedaço da eternidade.

sábado, 11 de Julho de 2009

A Viagem


A viagem

Se puder, gostaria de me levar,
gostaria ainda de levar comigo
todos os sentimentos,
alegrias e tristezas,
amores e belezas.
Todas elas são bem vindas
pois são sentimentos.
Gostaria de levar todas as cores
todos os pássaros
todos os peixes do mar
e pelo menos gostaria de levar,
o som de uma andorinha a cantar.
Mas também levava; música ,
e numa caixa feita de algodão um pouco de silêncio
para tentar recordar.
Há, já me ia esquecendo,
tinha que levar as minhas recordações,
todas elas,
sem qualquer distinção.
Todas elas cabiam numa grande arca.
Numa caixa de fósforo,
levava a minha beleza.
Numa caixa de cartão
levava as minhas ambições,
numa caixa de barro
levava o meu coração,
e numa caixa;
numa grande caixa de ferro
levava todos os meus sonhos.
O meu saber é pouco,
mas gostava de o conservar
como uma árvore.
Mas nesta viajem
teria também que levar
o mar e as estrelas,
teria que convencer a lua a me acompanhar,
e teria que levar o sol acorrentado.
Teria que levar os quadros amarrados.
É claro que é pouco provável conseguir transportar tudo,
mas se tiver de optar
por alguma delas,
prefiro lutar por todas.
Mas se afinal a viagem é tão importante
e o preço é tão alto,
então é justo eu conseguir levar tudo o que quero;
e afinal o que eu quero
é tão pouco;
ou será muito...?

Minhas amigas e amigos, decidi partilhar este meu poema com todos. Escrevi-o tinha 17 ou 18 anos mais ou menos não sei percisar bem. Nesta altura pensava muito nesta viagem, em como ela seria, o que iria vêr e sentir quando chegasse ao destino, em todas as coisas magnificas ou horriveis que poderia encontrar, pensava em todo o manto escuro que cobre de mistério esta viagem final.....Pensava, e umas vezes ria, outras chorava, mas a maior parte das vezes recordava os que tinham passado pela minha vida e me tinham marcado, pensava nas pessoas que estão na minha vida e fazem parte de mim, e pensava sobretudo em ti, que ainda nao te tinha descoberto nessa altura mas que já sabia da tua existência.

Entretanto fui crescendo, fui errando muito, fui apreendo aos poucos, fui vivendo sem rumo, até que te conheci. Nesta altura a vida passou a ter um rumo, o meu coração passou a ter uma companheira, o meu sorriso passou a ter um beijo e o meu abraço passou a ter um corpo.

Deixei de pensar nessa viagem magnificamente aterradora e misteriosa e passei a pensar em nós. Deixei de ter medo de morrer e passei a querer viver eternamente, deixei de sonhar para viver esse sonho contigo, deixei de me amar, para te amar completamente e o mais genuínamente possivel.

Foi neste momento que pensei que eramos imortais, que iriamos viver uma felicidade perpetuada nos momentos mágicos que construimos, numa certeza ilusória que a vida é magnificamente bela e sem dor. Foi exactamente neste momento de exaltação que o sonho morreu e a realidade apareceu!

Decidiste fazer essa viagem (ou alguém ou algo te conveceu a viajar ainda estou para saber) final, sem um adeus ou um até logo ou mesmo um até sempre....foste-te embora tal como chegaste; através das impermanências desta vida....

Voaste para longe, e eu não sei voar; partiste numa viagem onde não te posso acompanhar; chegaste a um destino onde nem sequer consigo imaginar.

Mas a realidade é que te foste embora, partiste nessa viagem final; simplesmente espero que tenhas feito uma boa viagem, simplesmente espero que tenhas encontrado o que desejasses e o que mereces, simplesmente espero que sejas feliz, simplesmente espero que esperes por mim da forma mais genuína de se esperar, que é no meu entender não esperando.

Boa viagem.....